Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Vou contar-vos uma estória

 

Era uma vez um País, como tantos países tinha os seus problemas, mais criados pela política que se dirimia acerrimamente entre os vários partidos existentes, mas sobretudo entre os que eram considerados, pela expressão dos que neles votavam, os maiores. Tinha também coisas boas, muito boas mesmo, bom sol, boas praias, gente amável e ordeira, enfim uma verdadeira sociedade moderna em que nem o facto de haver muitos idosos era problema pois, a entreajuda geracional funcionava em pleno.

 

Um dia, sem que ninguém tivesse dado por ela, apareceu uma coisa estranha, um monstro mesmo, que se resolveu se denominaria por “crise”. Chegou e instalou-se sem que ninguém percebesse porquê ou por causa de quê. Mas de imediato surgiram espertos na matéria, formados pelas melhores escolas superiores do País e até de outros países, o que lhes dava mais credibilidade.

Porém, estranhe-se ou não, todos estes especialistas andavam por ali distraídos e nunca deram pelo tal monstro, nem sequer imaginavam que existisse.

 

Logo aventaram razões, que era do excesso de endividamento, que era o governo que não governava bem e gastava demais e com promessas imensas de boa governação, baixa de impostos e outras coisas boas, conseguiram que o governo se pusesse a andar, acabando por substituí-lo com tantas boas promessas que, logo se mostraram ferozes mentiras. A agravar a situação, consta que esse governo foi corrido com ajudas quase impossíveis, antagónicas até, é que o espectro político varria uma área da esquerda à direita e todas estas forças se juntaram para dar um empurrãozinho ao governo que poderia considerar-se do centro/esquerda.

 

Para além disso as vozes dos espertos também vociferavam no sentido em que era, também, porque as gentes compravam casas a crédito, que viviam acima das suas possibilidades, até faziam férias no estrangeiro, sobretudo porque havia muitos idosos que tiravam os empregos aos mais novos. Falácias de ocasião esfarrapada que tantas vezes ditas acabam por parecer verdades.

 

Toca a cortar, e cortar mais ainda e levantar as questões da idade dos mais antigos para garantir emprego para os mais novos e etc, etc, e tal.

Claro que nada disto resultou porque tanto cortaram que as gentes ficaram depenadas e sem possibilidade de fazer funcionar aquilo de que tanto gostavam de falar, o “mercado”, livre e aberto sem ajudas do Estado. Uma linda ideia sem resultado prático, o mercado afundou, as empresas fecharam portas e o emprego que os idosos tiravam aos novos, depois de tanto os empurrarem para a reforma, acabou por desaparecer com a falência e encolhimento das empresas, mas os idosos? Esses, juntamente com os jovens desempregados, engrossaram o rol dos que vivem das reformas, magras é certo, pagas pela segurança social, uma coisa que existia desde tempos remotos com o fim de pagar as reformas a quem para lá descontava e também ajudar quem precisava e se encontrasse em situações difíceis, mas agora a deitar fumo de tanto esforço.

 

Chegamos pois, ao fim da felicidade que se vivia num País solidário como era este, pois o descalabro tornou-se quase ingovernável, as promessas foram com o vento e o sapo foi engordando na medida em que ia retirando gordura às gentes e de tantos espertos que existiam no tal País nada se sabe ao certo porque a realidade os ultrapassou. Vieram uns senhores de gravata e fato cinzento para ensinar como governar o País e mesmo que se enganem muito, nada há a fazer pois mais ninguém os consegue substituir.

 

Ensinam a cortar ainda mais dão indicações de onde e, por estranho que pareça, os espertos do País não conseguiram perceber bem e por isso cortam nuns lados mas não cortam noutros, vá-se lá saber porquê. Só não se percebe é porque razão, os que os ajudaram a tomar o lugar que pertencia a outros, passassem a desancá-los desalmadamente, parece que por arrependimento de os terem ajudado?

 

De um País bonito e alegre se fez uma tristeza sem fim à vista com alguma vantagem, sejamos claros, o País em causa melhorou bastante após todas estas investidas. As gentes é que são ingratas e não percebem nem agradecem o bem que lhes fazem e vai daí, dá-lhes para morrerem nos hospitais por falta de materiais ou assistência medicamentosa, ou ainda, os mais arrojados, de fome ou suicídio e até deixaram de ter filhos o que deixa o País numa situação de quase inexistência, porque um País sem gente o que é? Nada.


publicado por: canetadapoesia às 01:02
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