Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2018

Três pedras

 

 

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Uma preta, uma branca e a outra, um mistério pois é a mistura das duas anteriores.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Recolhidas na praia por serem roliças, lisas, tão diferentes entre si que suscitam alguma reflexão e, no entanto, simplesmente três pedras, calhaus o que se queira chamar-lhes.

Desde logo me questiono sobre o que pode conter uma pedra?

 

Uma alma, um sentimento, um mundo dentro de si?

 

Prosaicamente, grãos de areia solidificados, limados das suas arestas ao longo de centenas, milhares de anos até.

 

E um dia, apanhadas na praia porque alguém lhes encontrou alguma beleza, algum não sei quê de diferente.

Tê-las na mão é, já de si, uma experiência nova, diferente.

 

Senti-las húmidas de água salgada e acabadinhas de rolar na areia de onde foram retiradas, ou, talvez, quentes do sol abrasador que as fustiga impiedosamente até que uma próxima onda as envolva de novo no seu sal molhado.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

Uma muito branca, outra muito preta, outra, ainda, de ambas as cores.

 

Coexistem no mesmo mar, envolvidas pelas mesmas ondas e roladas na mesma areia e no entanto simplesmente pedras, pedras de várias cores e sem nenhum espírito de separação entre elas.

Limadas até ao extremo em que a sua textura se torna suave e macia ao tacto, três pedras.

 

Se nada mais dissessem seria suficiente gostar delas e guardá-las, mas dizem, dizem muito daquilo que é o mundo em que vivemos, como se formou, como se desenvolve, como se coexiste entre pedras que são brancas umas, pretas outras e de ambas as cores, outras ainda.

Três pedras iguais, três pedras diferentes.

E no entanto fica a pergunta, o que podem conter estas três pedras?

Conterão, pelo menos, uma lição de vida, três pedras de cores diferentes coexistem pacificamente nas praias que frequentamos.

Os humanos não conseguem coexistir porque lhes faltam muitos anos para limarem todas as suas arestas e ficarem lisos, aveludados e macios aos contactos dos outros humanos.

Tempo é o que precisamos para limar as arestas.


publicado por: canetadapoesia às 23:10
link do post | comentar | favorito

.Mais sobre mim


. Ver perfil

. Seguir meu perfil

. 15 seguidores

.Pesquisar

 

.Junho 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Posts recentes

. Orgulho

. 10 de JUNHO

. A república revisitada

. Consoada numa terra dista...

. Finalmente juntos (39º Ca...

. Encontro ao fim da tarde ...

. Num país diferente (37º C...

. Sobrevivência (36º Capítu...

. Evolução na confusão (35º...

. Preocupação (34º Capítulo...

.Arquivos

. Junho 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Agosto 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

.Links

SAPO Blogs

.subscrever feeds