Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018

O local

 

 

Explicar porque se gosta de alguma coisa, porque se tem especial predilecção por algo, por um sítio, pelo local onde se vive é difícil.

 

Às vezes são pormenores que nos ligam a determinados gostos e prazeres e eu tenho para mim que um dos meus prazeres é viver no sítio onde vivo. Lisboa, cidade desconhecida até aos meus vinte e cinco anos, que passei a conhecer e a amar como a minha cidade. Depois o bairro para onde vim morar já lá vão bem mais de trinta anos, adoro este bairro.

 

Todo ele cheio de verde e em determinadas épocas do ano de outros matizes igualmente interessantes e agregadores da vontade de cá continuar. Jardins, ainda que não muito cuidados, flores de todas as cores e uma diversidade de aves em pontificam os melros, grandes, gordos, anafados e cheios de vontade de comer tudo o que lhes aparece.

 

Gosto disto, gosto de abrir a porta e dar de caras com o verde que me envolve, tudo isto a um passo do metro e bem dentro da cidade, fabuloso, sou um privilegiado sem dúvida.

 

Não fosse um pequeno senão e tudo seriam rosas.

 

Um pequeno senão que estraga o conjunto harmonioso do que se poderia denominar uma vida de qualidade no turbilhão da cidade grande.

 

Construíram uma estação de serviço automóvel, até aqui nada de mais, daquelas que lavam, enceram e até atestam os ditos com o carburante que tanto custa a pagar. Construíram mercê de uma qualquer negociata entre as entidades que nestas coisas intervêm, o proprietário e a autoridade que o licencia, por troca com outra qualquer negociata que não vem ao caso.

 

O importante é que tal licenciamento e posterior construção não foram acompanhados da necessária vigilância para o perigo de conspurcar tudo o que existia à sua volta, no caso, as pessoas que aqui viviam. Daqui que se verifica que todo o lixo produzido nesta área vai sendo empurrado pelo vento para as portas de quem habita próximo sem que se vislumbre qualquer tentativa de menorizar este problema, bastava que se construísse uma pequena cerca de arame e já o dito lixo se acumularia com a facilidade de ser recolhido sem prejudicar os demais.

Mas não, a preocupação é que a estação de serviço se apresente limpa aos seus clientes não importando a quantidade de lixo que atira para os vizinhos. Falta de civismo de quem quer ser empresário à custa do mal dos outros.

 

É certo que este país ainda é novo, só tem quase um milénio de existência como tal, resta-nos então esperar tranquilamente que as consciências se abram o suficiente para que no próximo milénio, se o conseguirmos, sermos mais cuidadosos e civilizados com o que fazemos e com o que deixamos fazer.

 

Contínuo a gostar de aqui viver apesar deste pequeno deslize de fiscalização pública.


publicado por: canetadapoesia às 22:04
link do post | comentar | favorito

.Mais sobre mim


. Ver perfil

. Seguir meu perfil

. 15 seguidores

.Pesquisar

 

.Junho 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Posts recentes

. Orgulho

. 10 de JUNHO

. A república revisitada

. Consoada numa terra dista...

. Finalmente juntos (39º Ca...

. Encontro ao fim da tarde ...

. Num país diferente (37º C...

. Sobrevivência (36º Capítu...

. Evolução na confusão (35º...

. Preocupação (34º Capítulo...

.Arquivos

. Junho 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Agosto 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

.Links

SAPO Blogs

.subscrever feeds