Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

Fotógrafo amador

 

 

Pena que não tivesse sido maior o fim-de-semana, daria certamente para alargar muito mais a visita, mas não foi. Mesmo à justa para uma escapadinha entre um sábado solarengo e um domingo ainda melhor.

 

Já o sol ia alto quando nos dirigimos àquela terra, pequena, uma vila ainda, mas charmosa, casas baixas e mesmo as mais altas não tão altas que incomodassem a penetração do sol, muito limpa, não me lembra de ver lixo pelo chão ou espalhado pelos passeios. Não muito longe de Lisboa e bem sinalizada, até para alguém como eu, que se perde até com GPS, placas de indicação por todos os lados, mesmo assim, a célebre dupla voltinha nas rotundas manteve-se, só para ter a certeza de qual a melhor direcção a tomar.

 

Lá chegámos, instalação no hotel de charme, como agora se chamam estas pequenas e acolhedoras unidades, em que nada falta e quase nos sentimos em casa, tal a atmosfera que os rodeia e como sempre o SPA, lindíssimo, muito bem desenhado e apetecível, mas desta vez não dava que o tempo era pouco. Desta pequena maravilha de hotel falarei noutro texto.

 

Saída para visita à vila e à famosa casa estúdio do não menos famoso e conhecido, internacionalmente, fotógrafo amador, como se denominava a si próprio, Carlos Relvas, espantoso.

 

Chocámos de frente com o sol quente e apetecível de que viríamos a pagar o atrevimento do aquecimento, tão logo se pusesse o sol, pois a noite esfriou quanto bastou. Uma pequena caminhada e hei-nos defronte a uma belíssima moradia construída com o único fim de ser um estúdio de fotografia, um autêntico hino a uma arquitectura extraordinária de tão bela.

 

Desde logo notei que a simetria da construção era espantosa, vista de frente, era igual para ambos os lados, uma simetria plena. Ladeada por duas escadarias e uma porta central no andar térreo que nos permitia o acesso aos tesouros guardados no seu interior, e eram tantos.

 

Construída sobre uma base de alvenaria e encimada por amplo salão envidraçado permitindo a utilização plena da luz solar, doseada magistralmente por uma série de cortinas do tipo “japonesa” que eram abertas e fechadas por uma miríade de cabos assim filtrando mais luz ou deixando-a entrar em quantidade suficiente para as belas imagens que dali sairiam.

 

Era exactamente construída para o fim a que se destinava e rodeada por um belo jardim, pleno de flores e árvores, onde não faltava até um pequeno lago onde, porventura, haveria patos e outras espécies paradisíacos.

 

Por dentro, espectacular, desde a belíssima biblioteca do seu proprietário, que se compunha dos grandes títulos da época, até aos imensos livros sobre o tema da própria casa, a fotografia, quadros, mobiliário e as imperdíveis fotografias impressionadas, ainda, em vidro, imaginem.

 

Não deixo de pensar o que seria, naquela época, ter uma maquininha destas actuais e digitais, ao invés dos pesados caixotes com que se exercia a arte, era a loucura certamente. Ainda por cima para quem a fotografia não era sequer para ganhar dinheiro, mas simplesmente para ter o prazer de criar belas imagens e fotografar quem o quisesse ser, sem custos para o fotografado.

 

Casa restaurada segundo a traça original e mantendo a beleza de quem a imaginou e construiu, em dois pisos. As paredes trabalhadas e deixando antever no exterior várias imagens de anjos que possuíam uma característica comum, o facto de nas suas mãos se encontrarem as célebres máquinas, os caixotes, fotográficas da época.

 

Mereceu a visita, a arte merece-a sempre. Recomendo vivamente aos amantes da fotografia e aos outros também.


publicado por: canetadapoesia às 00:04
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