Domingo, 4 de Fevereiro de 2018

Doca (Relembrando dias felizes)

 

 

Que hora de chegar, quente, o calor a apertar, mas a água ali mesmo ao pé chamava insistentemente.

Não me atrevi a descer sem antes ir comprar uma garrafinha de água, afinal não sabia quanto tempo lá estaria.

Desci o pontão de acesso, cartão na mão, modernices até nas docas, abre o portão ao simples encosto em local apropriado.

Porta aberta, diante de mim um número, que já foi maior, de embarcações acostadas nos respectivos “fingers”, que chamar dedos a isto não é admissível, amarrações em ordem para não os deixar largar dali sozinhos que o mar apetece, mas não podem ir sem dono.

Calcorreando o pontão dá para ver que as gaivotas se banquetearam com os mexilhões que se agarram desesperadamente aos flutuadores e ao casco das embarcações. Depois do banquete deixam os pontões e “fingers” cheios de crustáceos devorados.

Pontapé aqui, outro acolá, vamos devolvendo ao ar o que de lá saiu.

Terceiro pontão à direita, quase até ao fundo. Alforreca à vista.

Primeira inspecção, amarras em bom estado, desapareceu uma das defensas, provavelmente arrancada com a ondulação que se deve ter feito sentir dentro da doca, há que reajustar as outras para cobrir o encosto no “finger”.

Subida a bordo, como eu gosto de dizer isto, “subida a bordo”, até parece um transatlântico e não o botezinho que é.

Enfim, tamanho não é qualidade o prazer que dá é que importa.

Abrir as locas e a cabine para arejar.

Preparar as reparações necessárias às anteparas que os cabos estão rebentados e precisam ser substituídos, agora por algo mais moderno e durável embora menos apreciado e bonito, mas, mais seguro sem dúvida.

Reparadas as anteparas nova tarefa. Lavagem exterior da embarcação que se encontra em estado lastimável, toda cheia do pó que desce da ponte e se entranha mais as porcarias das gaivotas.

Mangueira esticada e pronta a agulhar e lá vai. Água e escovilhão durante duas horas e meia até que se pareça com qualquer coisa limpa, quer dizer, mais ou menos.

Cansado? Não. Molhado? Sim, completamente. Ainda bem que trouxe as sandálias de material que se pode molhar.

Finalmente, enquanto seca um pouco para ser fechado, um descanso.

Cachimbo na mão, atestar o dito, sentar no “finger”, baloiçar um pouco, que aquilo abana mesmo, um gole de água, já não está fresca, que pena.

Agora sim, uma cachimbada ao som embalador da água e das gaivotas rodopiando sobre a cabeça.

Do outro lado, os restaurantes barulhentos em que gente diversa remói uma refeição à sombra dos toldos que escondem o sol.

Aqui, só o silêncio e o ruído das gaivotas, de vez em quando, um fuminho solta-se do cachimbo e dispersa-se no ar.

Apetece, e faço mesmo, deixo-me cair para trás e, por cima dos óculos de sol, o céu azul e o sol resplandecente.

Que dia.

Deviam ser assim todos os dias.


publicado por: canetadapoesia às 21:31
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