Terça-feira, 25 de Agosto de 2015

Dez dias, nove noites (2015-Junho) - Dia 4

 


(Dia 4 – para os fiordes)


Isto de andar por aqui se nada mais fazer do que o não fazer nada, cansa e deixa-nos exaustos e a necessitar de um descanso adequado e uma boa noite de sono, bem, pelo menos, uma meia noite de descanso que é preciso acordar cedo, muito cedo.
Neste acordar quase de madrugada, nos nossos parâmetros, mas já de dia adiantado, segundo os locais, tem a sua compensação e ela surge quando nos deparamos com o espectáculo, a magia e a extraordinária beleza do grande fiorde em “Grander”.
O que se pode dizer quando estamos perante esta magia da natureza, este espectáculo cuja imaginação, nem em sonhos nos aparece?
Simplesmente arrepiante, estonteante e, vê-lo ao som de música imensa, ressoando pelas encostas abruptas, geladas e pingando gotas da neve ainda não derretida, ao lado de riachos e caudalosos rios, escorrendo pela montanha abaixo, até ao mar, bem a meio do fiorde.
Soberbo, magnífica criação da natureza que o homem, destas paragens, protege e engrandece pela cuidada forma em que o vive.
Saída em shutlle para o cais e autocarro serra acima, com paragem em tudo o que é mirador e, se há paisagem para mirar, olhar e apreciar, é mesmo aqui, maravilhoso.
Três horas de passeio que terminam com o regresso e embarque de novo e na rotina habitual. Uma eternidade de momentos estonteantes que jamais se apagarão desta memória selectiva de coisas belas, boas e extraordinárias.
O almoço do costume, lauto, suculento e demasiado para estômago tão parco e para necessidades que o corpo nos exige, mas, ainda assim, abusamos mais um pouco, exageramos e claro, vamos ter de nos sujeitar à depuração, mas isso é no regresso, que por agora há que desfrutar, apreciar, gozar e porque não, abusar lambusadamente que, “o que é bom, nunca amargou”.
Agora que terminámos o repasto, tardiamente, que as horas não batem da mesma forma quando andamos fora de preocupações, ocupar a cadeira no deck exterior da popa do navio, que é daqui que vislumbraremos o espectáculo da largada, da saída do fiorde maior, do mais belo que vi, de todos os outros onde depositei meus olhos, espantosamente belo.
O oceano já está ali, mesmo à proa, após umas horas de saída do fiorde que é grande, longo e leva tempo a ser percorrido.
Recolher ao bar mais próximo é o recomendável, pois aproxima-se a uma velocidade vertiginosa a hora da janta e por aqui, apesar da disponibilidade da comida por 24 horas, os horários das refeições com pedigree são absolutamente para cumprir.
Antes disso, claro, convém preparar o estômago e fazer uma boquinha com uns petiscos, enquanto molhamos os lábios e esta insaciável goela com um ou outro drink, vidas complicadas estas, em que os horários e obrigações são tantas e tão variadas que dificilmente teríamos tempo de ir para o emprego, se ainda o tivéssemos.
Finalmente um relaxe, depois do jantar, em sala apropriada, talvez a que mais aprecio por aqui, “La Cubana”, a eleita e onde se saboreia um bom café expresso, como o conhecemos, fumegante e em concorrência com outros fumos, também eles de prazeres inconfessáveis.
E porque a noite já vai longa, com comezainas, drinks e músicas várias mais o espectáculo diário no salão adequado para tal, é hora de relaxar este corpo
que não é de ferro e necessita de outros mimos, também prazeirosos mas muito mais saudáveis, o descanso que a noite e o seu silêncio, que do mar nos chega, nos oferece.

 


Luis Filipe Carvalho


publicado por: canetadapoesia às 00:23
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