Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

Dez dias, nove noites (2015-Junho) - Dia 2

 

(Dia 2 – para os fiordes)


Com a entrada nestes mares se balança e a noite é passada no doce embalo destas ondas que são mansas à vista mas que se revolvem neste interior que é o mar profundo.
Nasce o dia, claro e de sol, está baço, coberto desta neblina que os gelos do norte que desta bola que é o mundo carregam para sul e fecham tudo, nada se distingue e as margens onde esperávamos ver arribas e falésias deslumbrantes e deslumbradoras evaporam-se, deixam-nos a temperatura pouco amena, que vai baixando a cada milha avançada.
O dia consome-se em navegação, onda a onda, galgando o oceano.
Comida e mais comida, a bebida é à descrição, sempre presente, o relax e o distender da vista é uma opção que seguem a linha do imaginário, perdem-se neste horizonte infindável.
Delineamos pensamentos em palavras corridas e da escrita saem-nos coisas tantas, com sentido, sem sentido e devaneios próprios de cabeças desprovidas de outras acções.
Ocupamos por umas horas a sala dos prazeres, um café fumegante deixa no ar o aroma inconfundível que só os grãos torrados e moídos permitem, expresso, assim se quer, quase a meio da chávena, que aqui é muito curto e é preciso pedir mais, a acompanhar, o indispensável fruto proibido, puríssimo na minha opinião de parco apreciador, amador, bem sei, mas amante que sou, certamente.
Perdido nesta solidão de prazeres, confessados mas pouco tolerados, revemos no ar os novelos que o fumo forma e deles retiramos a abstracção que nos impõe o isolamento dos mundos perfeitos e já quase sem prazeres para a vida.
Criamos a imagem do nosso universo, imperfeito, sim, não alinhado com a sensaboria dos perfeitos e desprazeirados, juntamos à nossa realidade tudo o que consideramos apelativo ao corpo e à alma, criamos o nosso prazer que completa, que também acrescenta valor ao coração que aquece e se revela ao mundo, um mundo que procuramos seja diferente, o nosso mundo imperfeitamente perfeito.
Porque é o dia em que o jantar se reveste da gala do mar e se designa pomposamente, por jantar do comandante da nave, que não é dos loucos, mas que também os contém em profusão e diversidade, toca a vestir em conformidade, sai o blazer do armário, que foi para isto que nos acompanhou, camisa a preceito, mas sem gravata que chega de concessões.
O sapatinho, também será calçado uma só vez, fica bem com a restante indumentária pois vestir o blazer com sandálias não se ajusta à ocasião.
Mais um dia de viagem, no mar, sem terra à vista onde pôr os pés e sobretudo os olhos.
A noite, hoje, promete ser de embalo mais vigoroso e portanto, mais embaladora e bem dormida.

 


Luis Filipe Carvalho


publicado por: canetadapoesia às 23:45
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