Terça-feira, 6 de Março de 2018

Construindo gaiolas (16º Capítulo)

 

O dia amanheceu e os três mafarricos saltaram das suas camas, em cada uma daquelas casas logo começou o reboliço matinal. Lavar-se, vestir-se, tomar o pequeno-almoço, que era proibido dar início à brincadeira com os estômagos vazios, passarem pela primeira revista do dia, ouvir as recomendações, ignorá-las de seguida e desaparecerem da vista das mães.
O encontro, como habitualmente, era no ringue de patinagem, no largo. O primeiro a chegar, como de costume, esperava pelos outros e não tinham de esperar muito que todos tinham a mesma ânsia de brincadeira, de se juntarem a planear o dia, a decidir por onde começar ou o que fariam. Três amigos inseparáveis, colegas de escola, vizinhos e companheiros de brincadeira, só a vida os separaria, mas isso era muito mais para a frente, agora não se pensava nisso, até porque não eram adivinhos nem liam o futuro numa estrela qualquer.
Já a bola rodopiava no centro do ringue, entre três ou quatro dos habituais frequentadores, entre eles Noite Escura, um dos mais novos putos do bairro, ele e mais os outros dois amigos. Era sempre um dos primeiros a chegar, conseguia, quase por artes mágicas, desfazer-se das obrigações matinais e garantir à mãe que tudo correria bem durante o resto do dia, que não havia lugar a preocupações, que se portaria bem e que não fariam nenhuma loucura. Tudo estava certo vai, vai ter com os teus amigos e não te esqueças… não me esqueço mãe está descansada.
Direitinho ao largo, o primeiro a chegar. Quando viu o Tito a dar uns toques na bola logo se prontificou a fazê-lo com ele. És um puto muito pequeno nem sabes chutar a bola. Pelo menos vamos tentar e logo se vê, se não gostares eu deixo de jogar. Está bem, vamos a isso, para a cabeça, boa, conseguiste, mais uns chutos depois e a chegada de mais uns crescidotes e já Noite Escura era parte daquele grupo de chutos à bola. Inseriu-se pela sua perícia, daí para a frente seria solicitado amiúde para fazer parte das equipas que se formavam para umas partidinhas de futebol. Claro que isso acabava por chocar com os patinadores habituais já que os jogos se desenvolviam no ringue de patinagem, mas nada de mais, uns berros uns encontrões e chegava-se a um consenso equilibrado, manhãs para a bola, tardes para os patins.
Ainda Noite Escura dava uns chutos e já Branquelas e Meia de Leite se empoleiravam na vedação do ringue à espera que ele saísse para darem início ao seu próprio dia de aventuras. Mais uns chutos e Noite Escura abandona a quadra, cansado e suado. Estão à minha espera? Que é que te parece? Pões-te para aí aos chutos à bola e nós aqui a aguentar. Chegaram mais tarde do que eu o que queriam que fizesse? Fui adiantando o dia que um joguinho de bola até faz bem à saúde, estou pronto, vamos andando. Vamos trabalhar para onde? Vamos para a minha garagem que a minha mãe não está em casa e assim estamos mais à vontade, até podemos surripiar umas colas da geleira para ir matando a sede.
Saíram do largo, deram a volta em direcção à João de Almeida, contornaram a esquina com a João de Deus, uns passos mais à frente abriram o portão, entraram no quintal em direcção à garagem. A casa estava sossegada e em silêncio, do seu interior não vinha nenhum dos ruídos habituais, limpeza da casa, arrumações, eu sei lá, aqueles barulhos normais numa casa habitada por pessoas. Na garagem começaram a tomar decisões quanto ao desenrolar do dia. Primeiro que tudo, para que a coisa corra bem vais buscar as coca-colas e assim vamo-nos preparando para o árduo trabalho que nos espera.
Meia de Leite assentiu com a cabeça, virou-lhes as costas e meteu pelo jardim direitinho à cozinha. Empurrou a porta e entrou que aqui nada ficava fechado à chave, também para quê? Não havia ladrões e sempre dava mais trabalho fechar a porta à chave e voltar a abrir, sendo que, tinham de andar sempre com a chave, assim era tudo mais fácil, empurrar e entrar. A mesa da cozinha despertou-lhe a atenção, aproximou-se e verificou que a mãe tinha deixado uma merenda preparada, um bilhete escrito mesmo ao lado, significava que era obrigatório ler. Pegou no bilhete e leu, “está aqui um lanchinho para o meio da manhã, comam e não se empanturrem de coca-colas, como de costume, que isso não alimenta, venho mais tarde e já deixei na geleira comida para o almoço.”, mas quem é que quer comida para o almoço, pensou ele, mas o lanchinho até vinha a calhar.
Pegou nas sandes e nas coca-colas e levou-as para a garagem. Abusaste Meia, a tua mãe vai-te surrar, foste à geleira e além das cocas ainda trazes sandes? Nada disso, foi ela que deixou em cima da mesa da cozinha, até parece que adivinhava que vínhamos para aqui hoje. O que é que as mães não adivinham gritaram em coro. Depuseram o lanche e as cocas na bancada e começaram a separar os pauzinhos de madeira e bordão para a confecção das ditas gaiolas, aquelas que eles esperavam vir a ser utilizadas para confinar as celestes, viuvinhas e bicos de lacre que conseguissem apanhar. Depois deste intenso trabalho, Branquelas sai-se com a frase lapidar que todos receavam exprimir, “estou cá com uma larica”, pronto, desabou.
Todos estavam com larica, e este trabalho de separar as madeirinhas ainda lhes abriu mais o apetite. O melhor é fazermos um intervalo, trincar qualquer coisita e beber uns goles, depois continuamos o trabalho, que acham? Boa ideia, estávamos mesmo a precisar de um intervalo. São mesmo uns calões, atira Noite Escura, ainda agora começaram e já estão a baldar-se ao trabalho. Vai-te catar Noite, se não queres a sandes não comas que eu divido-a com o Meia e olha que não sabes o que perdes, são feitas pela mãe dele, sabes o que têm, sabes? Já devias saber que são sempre uma maravilha, peitinho de frango desfiado e sem ossos, sem ossos, é só trincar, e pelo meio ainda levam daquela coisa acastanhada, como se chama? Mostarda, diz Meia de Leite. Pois, mostarda, é isso mesmo, dá-lhe aquele sabor meio picante e, se apertares bem vês a mostarda a sair aqui pelos cantos. Se não a queres não se vai estragar, está descansado. Quem disse que não a queria? Só estava a chamar a atenção que assim nunca mais acabamos as gaiolas, passam a vida a parar e a fazer intervalos. Não te preocupes que o mundo não acaba hoje. Se não acabarmos as gaiolas hoje acabamos amanhã, e, com sorte ainda temos outro lanchinho destes.
Pegaram no lanche e nas cocas e foram para debaixo da mangueira que estava mais sombrinha, escolheram os lugares, sentaram-se à volta do tronco grosso da árvore e cada um retirou do prato um pão. Um gole de coca-cola e uma dentada no pão, em uníssono, deixaram sair pelas cordas vocais a sua satisfação, está mesmo bom, apetitoso, dá duas a cada um. Maravilha. Depois disto, construir gaiolas não custa nada. Durante um quarto de hora só se ouviu o mastigar do pão e o engolir da coca-cola, uma vez por outra, um som indeterminado soltava-se daquelas gargantas, mas não queria dizer nada, era só satisfação mesmo.
Olhavam para o pão, davam uma trinca, mastigavam e olhavam para a copa da árvore que gentilmente os protegia do sol. Até as árvores eram suas amigas, pensaram. Meia, tens aqui umas mangas madurinhas, será que não as comes? Andas a deixar estragar esta fruta boa? Não dá para comer todas de uma vez, vamos apanhando e comendo quando calha. Pópilas! Com este aspecto tão doce não parava de comê-las. Acho que vou apanhar umas para sobremesa deste lanchinho, vocês não querem umas? Vou trepar, diz Branquelas. Nada disso, eu é que vou, a mangueira é minha e nem se sentiria bem a ter outras pessoas a subir por ela, remata Meia de Leite, só mais um golinho e já lá vou acima retirar algumas para trincarmos.
Eh pá, já me esquecia, tenho um problema para resolver. Que problema tens tu, Meia? A minha mãe deixou comida na geleira, para o almoço e se não a como vai-me chatear e até me dá nas orelhas depois de ver que fomos às coca-colas e não lhe toquei. E o que é a comida, pode saber-se? Esparguete com almôndegas. É bom, diz Branquelas, mas também não me apetece nada, nem a mim, atira Noite Escura, estas colas enchem. Então estou frito, vou mesmo levar nas orelhas, bem podiam ajudar-me e comer qualquer coisita. Não dá, estamos a rebentar pelas costuras. Não te preocupes, diz Noite Escura, tenho uma solução. Qual é, pergunta Meia de Leite, diz-me que preciso de resolver este assunto. Essa comida até é boa demais, mas a solução que te vou dar garante-te um amigo para sempre, vai buscar a comida que já te mostro o que vais fazer.
Retorno à cozinha, retirar a comida da geleira, Meia de Leite reaparece no quintal com uma tigela repleta de esparguete com almôndegas. Pópilas Meia, a tua mãe cozinha para uma tropa inteira. Ela acha que eu estou sempre cheio de fome, diz que é para crescer, mas por mais que coma fico sempre pequenino. Nasceste em dias curtos, é o que é. Pega é na tigela e chama o Tarzan. O Tarzan? Já percebi, és mesmo um génio Noite, só tu te podias lembrar desta solução e é a melhor e a mais rápida, ele vai limpar tudo. Olha que pareces mais inteligente do que és, provoca Branquelas, desculpa, enganei-me, queria dizer mais inteligente do que pareces. Estás sempre a trocar as frases para me chatear, um dia ainda te vou ao focinho, mas hoje não que estou cansado, riram-se os três.
Um assobio de Meia de Leite e Tarzan, o seu cão, rafeiro que não havia essa coisa de cães de raça, aparece lampeiro e a abanar a cauda, uma marradinha em cada um e uma lambidela em Meia de Leite compõem os cumprimentos do animal. Estendem-lhe a tigela e Tarzan, sem se fazer rogado atira-se a ela, depois de umas trincadelas sôfregas, levanta a cabeça na sua direcção como agradecendo tamanho manjar e termina a imensa quantidade de esparguete com almôndegas, atira a língua para fora e lambe a tigela, não deixa nada que se veja que ali esteve comida. Olha para eles agradecido, que rico almoço, venham mais vezes que eu tomo conta de vocês, e tragam mais disto que eu gosto, parecia dizer. Afastou-se um pouco e deitou-se a remoer tão excelente comida, um rosnar de felicidade saía-lhe agora das narinas.
Agora vai lavar a tigela antes que a tua mãe chegue e sinta o cheiro do cão que aí sim, levavas poucas se ela soubesse que a deste ao Tarzan. Depois vamos às mangas. Meia de Leite assim faz, a mãe nem vai acreditar, comeu tudo e ainda lavou a tigela, este meu filho está a ficar cada vez melhor, mais atinado e até ajuda a mãe, sim senhor, vais longe. Tenho de dizer ao teu pai como te estás a portar e até tens direito a prenda e tudo, imaginações de Meia de Leite a funcionar em pleno.
Acercam-se da mangueira, os braços cruzados de Branquelas e Noite Escura servem de cadeirinha e apoio aos pés de Meia de Leite para um primeiro impulso que o alcandora ao ramo mais acima. Segura-se a ele com os braços, eleva as pernas e enrola-as à volta do tronco forte do ramo, endireita-se, está em cima da mangueira. Vejam daí de baixo onde estão as mais maduras e vão indicando para eu lá chegar. Mais acima um bocadinho, trepa ao outro ramo, isso, chega-te mais à frente e estica o braço, logo aí tens duas amarelinhas. Vai deixando cair que as apanhamos aqui. No ramo do lado tens mais três, e por aí fora até que meia dúzia delas tinham sido colhidas. Agora cá para baixo que as vamos comer.
Meia de Leite olhou para trás, estava afastado do ramo principal, bastante mesmo e agora se dava conta de que este, muito mais fino e menos resistente, começava a dar uns sinais estranhos. Começou por dobrar-se mais do que esperava e um estalo por baixo do seu corpo deixou-o de sobreaviso. Pânico, o ramo estava a partir-se e, daquela altura, se caísse, ia partir a cabeça pela certa. Tentou retroceder rapidamente para evitar a queda, já não foi a tempo. O movimento rápido acelerou a quebra do ramo. Meia de Leite viu-se a voar que nem passarinho, mas sem asas, e sem asas só podia cair, assim foi, caíu.
Estatelou-se em pleno quintal, caiu e torceu uma perna, pensava, que ficou debaixo do corpo. Doía-lhe imenso, Branquelas e Noite Escura, aparvalhados com este final infeliz não sabiam o que fazer. Tentavam levantá-lo mas, a cada movimento um grito de dor saía da boca de Meia de Leite, partiu a perna diz Branquelas, não consegue pôr-se de pé. Que fazemos Noite Escura? Vai a minha casa e chama a minha mãe, que venha já que o Meia está mal, ela vai ajudar-nos. Corre Noite escura a casa de Branquelas chama pela mãe, nem lhe dá tempo a saber o que se passa, arrasta-a com ele para casa de Meia de Leite. Que se passou aqui? Porque estás no chão Josué? Caiu da mangueira, dizem em coro os outros dois, deve ter partido a perna. E agora? Que fazemos? Não está cá ninguém que tenha carro, como o vamos levar ao hospital?
Vão ao sr. Baptista, da mercearia, que ele é capaz de nos ajudar a levá-lo na carrinha dele. Correm rua fora até ao outro largo, entram desabridos na mercearia onde o sr. Baptista conversava com a mulher, poucos clientes àquela hora. Que se passa com vocês, parece que viram algum bicho. Não sr. Baptista, o Meia de leite, isto é, o Josué, caiu da mangueira e partiu a perna e a minha mãe pede se o sr. nos pode levar até ao hospital que não há cá mais ninguém com carro para isso.
O sr. Baptista, beirão de gema, vai tirando o avental ao mesmo tempo que passa umas recomendações à mulher, vamos já, que se não for tratado a tempo ainda pode ficar com marcas para o resto da vida. Entram na carrinha, Datsun, caixa aberta, lá vão em direcção a casa do Meia de Leite, saem da carrinha, ainda a trabalhar e assim ficou para ser mais rápida a saída. O sr. Baptista pega em Meia de Leite ao colo, leva-o e deposita-o na caixa de carga da carrinha, deitado. Não faças força, deixa-te estar assim que é um pulinho até São Paulo, vamos aqui por dentro que é mais rápido. A mãe de Branquelas ao lado do condutor, o sr. Baptista, os putos na carroçaria, acompanhando o amigo. Segurança, proibição? Qual quê, emergência, isso sim e quando o amigo precisa não há polícia que impeça uma deslocação destas, também não havia proibição de galopar as estradas na caixa de carga de nenhuma carrinha. Vamos embora em direcção ao grande hospital de São Paulo, hospital universitário, como também era conhecido.
Paragem frente às urgências, maca, transporte para o interior, só a mãe de Branquelas entrou que ele era como um filho e como o seu o trataria. Os dois amigos e o sr. Baptista, esperaram cá fora, nervosos, preocupados com o estado de Meia de Leite e com o que diriam à mãe e ao pai dele quando chegassem a casa e soubessem do acontecido. Logo se resolveria, o que importava agora é que ele fosse tratado, e foi. Passado uma boa hora e meia aí vem Meia de Leite de muletas e com a mãe de Branquelas ao lado, impante e ufano na sua perna engessada.
Que tal correu? Ora sr. Baptista, uma perna partida sem mais consequências, está tratado, daqui a uns dias vem tirar o gesso e fica como novo. Raio dos miúdos, porque é que não vão comprar as mangas lá à loja em vez de andarem a subir árvores para as colher. Sempre a fazer publicidade ao negócio este sr. Baptista, então não vê que lhes sabem melhor quando as apanham na árvore? São novos, deixe-os lá crescer, têm muito tempo, quem me dera ficassem sempre assim. Vamos andando? Vamos, deixa-me ajudar-te a subir para a carroçaria que tens de ir com a perna esticada, vocês os dois, lá para cima também, vamos mais devagar que agora já não temos pressa.
Obrigado pela sua ajuda sr. Baptista, sem ninguém com carro aqui por perto ia ser difícil e chamar um táxi, não ia ser fácil, tínhamos de mandar um dos miúdos para a esquina da rua e sabe-se lá, quando passaria um. Ainda não havia telefones por todo o lado como agora, era bem mais complicado comunicar, mas, mesmo assim, tudo se resolvia. Ora não pense nisso D. Maria, estamos cá para isso mesmo, se não ajudamos a comunidade, aqueles que afinal são os nossos clientes, quem ajudamos, aqui neste bairro somos quase uma família, todos nos conhecemos e todos se entre ajudam e eu sinto-me muito feliz por poder participar e ajudar no que for possível.
Mais um dia de aventuras e que aventuras, ainda faltava a chegada dos pais de Meia de Leite, o que diriam? Nada de mais, com certeza, só a constatação de que o filho que tinham deixado inteiro antes de saírem de casa, estava agora com uma perna engessada e que, graças aos amigos e vizinhos, tinha sido tratado, acarinhado e nada de mais lhe acontecera. Mais um dia na Vila Alice.


publicado por: canetadapoesia às 17:18
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