Sábado, 1 de Março de 2014

À noite pela cidade

 

Saí do restaurante com uma daquelas vontades difíceis de suster. O jantar, ligeiro e frugal mas delicioso tinha corrido de maneira excepcional.

 

Os sabores sucediam-se e multiplicavam-se em catadupas de prazer. O vinho, estava no ponto, branco fresco e óptimo para acompanhar aquela espécie de degustação sofisticada mas que se referia simplesmente a um jantarzinho de comemoração dos cento e cinco meses de uma “second life” e vão somando.

 

Saí pois com aquela vontade, uma caminhada a pé após, o jantar, era muito bom mas seria muito melhor com a companhia de um bom charuto.

 

Andei, olhei, vasculhei e não encontrei uma única tabacaria aberta. Que tristeza, já ninguém sente o simples prazer do prazer?

 

Isto está mau e não se pode dizer que é por culpa do FMI. Está mau porque as pessoas estão a perder o prazer de sentir prazer.

 

Estão a fechar-se, a bloquear-se atrás de portas de segurança que não permitem sequer sentir a brisa da noite ou olhar para o alto e arrepiar-se com o redondo da lua cheia.

 

Sim, isto está mal, isto está péssimo, nem um charutinho? Que vergonha. Como me vou sentir depois de um momento tão especial se não posso sequer enviar aos céus através de sinais de fumo uma satisfação de prazer.

 

Como se pode andar pela cidade à noite se ela está fechada, cerrada, nada aberto, luzes apagadas?

 

É uma cidade sem vida, sem alma, não gosto nada disto.

 


publicado por: canetadapoesia às 12:43
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