Sábado, 26 de Outubro de 2013

No entanto ninguém se questiona

 

Passei a semana a ver na televisão, nos raros momentos que a frequento, doutas opiniões sobre o porquê e o como se resolver a crise que repentinamente se abateu sobre o país.

 

No entanto ninguém se questiona

 

De onde saíram todas estas opiniões e de onde apareceram todos estes analistas e profundos conhecedores da crise e dos motivos que nos transportaram até ela.

 

No entanto ninguém se questiona

 

Porque só agora apareceram estas vozes conhecedoras do assunto e não antes quando era necessário resolvê-lo sem que fôssemos atirados para a fogueira desta forma.

 

No entanto ninguém se questiona

 

Porque é que, sendo grande parte destas vozes de pessoas que estiveram no governo deste país ou tiveram importantes responsabilidades na sua condução, nos últimos trinta e poucos anos de democracia, não puseram em prática as teorias que agora debitam em quantidades assombrosas.

 

No entanto ninguém se questiona

 

Porque é que esta quantidade de gente, que na sua maioria entrou ao serviço dos vários governos e da máquina do estado, com uma mão à frente e outra atrás, agora fala de cátedra e com ambas as mãos cheias.

 

No entanto ninguém se questiona

 

A lógica de nomeação de gestores para as, então, imensas empresas públicas e agora semi-públicas, onde a mais importante parte do curriculum se limitava a terem sido paridos pelo ventre fértil e fecundo das forças partidárias ditas defensoras da democracia e do povo que as elege.

 

No entanto ninguém se questiona

 

Que a origem de todo este problema possa estar a nível desta gestão ruinosa que conduziu o país à beira do precipício e não na imensa massa de trabalhadores tão injustamente maltratados e acusados de falta de produtividade.

 

No entanto ninguém se questiona

 

A megalomania das grandes obras que são um sugadouro de dinheiro do erário público e em grande parte a origem do desequilíbrio das contas públicas de que só uma minoria irá beneficiar.

 

No entanto ninguém se questiona

 

Que as sucessivas dificuldades da segurança social se encontre no desrespeito de normas elementares de convivência, civismo, solidariedade e vergonha de alguns se aboletarem com reformas milionárias, multiplicadas várias vezes, deixando simples migalhas à grande maioria deste maltratado povo português.

 

No entanto ninguém se questiona

 

Porque a culpa tem de ser sempre dos outros e não nossa.

De uns porque se lhes esbugalharam os olhos de tantas oportunidades e riquezas por explorar de outros porque lhes abrem, sucessivamente, as portas para livremente actuarem.

 

No entanto ninguém se questiona

 

No entanto ninguém se questiona

 

No entanto ninguém se questiona


publicado por: canetadapoesia às 11:16
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