Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

O ribombar da noite

 

Estava mesmo a precisar de um soninho reparador. Não que estivesse muito cansado, mas a perspectiva de ter de me levantar antes das galinhas no dia seguinte, antecipava o gozo de me atirar para a cama mais cedo.

 

E não pensem que estou a brincar, não, é que dá mesmo gozo.

 

Deitadinho na cama, tapado com o edredão, ouvindo uma daquelas músicas dos anos 60/70 e olhando o céu. Ah, pois é, olhando o céu do quentinho da cama, tão bom. Mas eu explico, durmo sempre com a persiana da janela aberta e então está explicado que esta é uma janela especial.

 

É uma janela especial porque por ela entra o mundo, entre o sol, quando o há, e que bom acordar com ele a abraçar-nos com todo o seu calor. Também entra o luar das noites de Agosto, lindo iluminando a noite e o meu quarto com toda a força da sua generosidade.

 

Por ser de vidro, ainda que duplo, permite também que saia alguma coisa, e desde logo sai o olhar, o meu olhar que se espraia pela janela penetrando o exterior, o lá fora, perscrutando os céus e apreciando a beleza das estrelas, apreciando os melros de namoro nos ramos da árvore quando sentem a aproximação da primavera. Também vejo a tempestade, e aprecio-a quando se vai aproximando de mansinho, qual exército Napoleónico, agrupa-se lentamente, enche as entranhas e de repente, ela aí está, uma borrasca daquelas.

 

E ontem foi assim, juntaram-se umas nuvenzinhas, mas nada, não caía nada de água. Por um momento o céu desabou, ou pôs-se a chorar desalmadamente por alguma maldade que lhe fizeram, concerteza. E foi um clamor de som de água caindo desamparada pelos telhados, escorrendo das paredes dos edifícios, correndo por estreitos corredores de escoamento e acabando a desabar na calçada espalhando-se pela rua,

 

Da minha cama, onde me tinha aninhado mais cedo, apostando até no adormecer ao som da chuva, eu vi, eram trovões, alguns relâmpagos e água, muita água mesmo, bátegas inteiras sem sequer dar hipótese de se pedir meia dose.

 

Mas, apesar de ir acordando amiúde, nada se perdia, pois a cada acordar novo prazer se apresentava, o olhar o céu, sentir a chuva, ouvir os trovões e voltar a adormecer.

 

Que delícia. Adormecer a ouvir o ribombar da noite.


publicado por: canetadapoesia às 21:26
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