Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

Engraçado

 

Sempre achei mais interessante ouvir as pessoas que propriamente ser eu a falar. Porque sempre pensei que o dom da palavra não é para todos e que falar exige, sobretudo, uma articulação perfeita, impecável, sem lacunas e muito menos erros.

 

Por outro lado, ouvir implica uma atenção redobrada porque nos leva, ao mesmo tempo, a perscrutar as palavras, o seu sentido, o que significam, o que quererão dizer naquele específico contexto.

 

Deixa-nos o espaço, também, para olhar de outra forma para aquilo que os oradores vão debitando. Palavras atrás de palavras, frases que se sucedem, contextos dos mais diversos e coerência entre tudo isto, coerência, o que mais gosto de apreciar.

 

Vem isto a propósito de um discurso que ouvi pela televisão em que o presidente da Nova Cidadania, acho que é assim que se chama, falando numa reunião em que sobressaía a presença do presidente do maior partido da oposição, aquele que se anunciava já como futuro governo, um governo que prometeu baixar impostos e defender o cidadão e que na volta, sem programa e entalado pela asneira de chumbar o PEC, anda às voltas como uma barata tonta disparando em todos os sentidos, desdizendo o que disse e aumentando o receio, para não dizer a certeza, que possamos ir desta para pior, como atento bebedor daquelas sapientes palavras.

 

Chamava a atenção para a necessidade de nos próximos quatro a cinco anos ser exigida uma maior participação aos portugueses para resolução da crise em que o país se encontra, descodificando, mais impostos, mais sacrifícios mais miséria no país.

 

Por isto gosto mais de ouvir que de falar. E é engraçado pensarmos que em tempos de bonança, de crescimento económico, todos estes senhores se esquecem de que existem outras pessoas que não somente eles. Existem pessoas que pelo seu trabalho e pela sua cidadania permitem que apareçam tantos papagaios esvoaçando em volta do pote da abundância.

 

Pois todos estes papagaios esvoaçam agora à volta dos desgraçados portugueses preparando-os para lhes sacar ainda mais do que já têm tirado. Sempre com o seu apurado sentido de estado, em defesa da Nação. Só enganam os que querem ser enganados.

 

Alegam que todos estes sacrifícios se impõem por falta de medidas tomadas a tempo e horas para remediar ou minimizar a crise. Inteiramente de acordo. Só pergunto se essas medidas não eram para ser tomadas por quem como eles sempre esteve no poder, próximo dele, ou assegurando-lhe a continuidade.

 

Quando as coisas estão bem, correm bem e há lucros a retirar, então o êxito deve-se aos grandes gestores que se pagam principescamente por isso e se esquecem de distribuir as migalhas que restam. Quando as coisas correm mal, os proveitos diminuem e a economia entra em crise, mercê das medidas erradas destes senhores, então a crise tem de ser paga por todos os que não beneficiaram dela e não nos esqueçamos que este todos significa que falamos de pessoas em diferentes patamares de rendimento.

 

Tenham dó, a paciência tem limites.

 

Valia mais que se calassem para não ficarem tão mal na fotografia.


publicado por: canetadapoesia às 13:17
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