Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013

À roda da letra “P”

 

Parece uma simples letra o “P”, parece simples mas pode complicar-se pois esta letra simples, parte do alfabeto que conhecemos e tão inocente pode ser o início de várias palavras com forte conotação.

 

O “P” ou “p”, maiúsculo ou minúsculo, dependendo das circunstâncias da escrita e do poder que se lhe pretende adicionar, pode ser uma palavra doce, querida, desejada, pode também ter outra conotação, sendo, então, menos querida, nostálgica e até levada ao extremo da indignação.

 

O “P”ai, que todos estimamos e de quem devemos sempre a nossa vinda a este mundo, o “p”ão, de que todos nos alimentamos e que tanta falta faz a quem nada mais tem para levar à boca, o “p”razer, que tiramos de tudo o que nos agrade, momentos “p” que nos dão conforto e de que gostamos.

 

Por outro lado, o “p”ais que está tão abalado pela crise que atravessamos, o “P”ortugal que nos dá a nacionalidade e de que estamos cada vez mais arredados, o “p”oder de quem nos governa mal e muito se governa, o “p”inóquio que conhecemos da nossa infância e de cada mentira via crescer o seu nariz.

 

Isto são os “p” de que nos lembramos mas muito mais haveria a dizer dele.

 

É a letra que nos satisfaz e nos desagrada, é a letra que já não nos surpreende por ter transformado este “p”aís no “P”ortugal “p”inóquio.

 

Todos os dias se revelam as contradições do “p”olítico em que as verdades de ontem são as mentiras de hoje, e isto, em “p”olítica, é muito mau, é mesmo muito feio.

 

São estas contradições que criam a dúvida, as crispações, a descrença, o mal estar geral em que os “p”ortugueses se encontram por já não acreditarem nos “p”olíticos que ontem nos garantem que tudo está bem e hoje nos vergastam com crescentes paredes de dificuldade que se tornam cada dia mais difíceis de ultrapassar.

 

Estamos pois transformados num “p”aís de “p”inóquios em que os narizes crescem diariamente na medida de cada mentira atirada para os microfones da rádio e televisão a que assistimos.

 

E, na verdade, como na fábula, só existem “p”inóquios porque os Gepêtos deste “p”aís os criaram e lhes permitem as mentiras descaradas com que nos mimoseiam a toda a hora.


publicado por: canetadapoesia às 20:39
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