Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013

A falência do País

 

Quando começou? Porque aconteceu? Claro que numa primeira abordagem e numa rápida resposta às questões se aponta logo para os trabalhadores e para a rigidez do código de trabalho, não dando, sequer, crédito a todos os empresários estrangeiros que aqui vieram estabelecer os seus negócios e que afirmam que esta legislação não impede que as empresas se afirmem e permite tudo o que for preciso fazer em termos de despedimentos.

 

Se duvidássemos, bastava olhar para a Auto Europa. Que melhor exemplo de boa convivência entre os detentores do capital que instalaram a fábrica e os seus próprios trabalhadores se poderia dar? Nenhum, porque em termos nacionais não há exemplos destes que nos permitam orgulhar do nosso patronato, dos detentores do capital nacionais.

 

Daqui partimos para as origens da falência do Estado português, era previsível, era visível, cheirava à distância, mas as grandes cabeças do país não o vislumbravam. Essas grandes cabeças que sempre foram parte do problema e que agora se deslocam para o lado da crítica a alguns, esquecendo-se que todos eles fizeram parte do grupo que remexeu o pote até à exaustão.

 

Uns porque defenderam o fim da nossa indústria e agricultura, outros porque, cegos com o brilho dos euros que nos vinham da EU, se atiraram a um despesismo sem limites a um abocanhar desmesurado, a um novo-riquismo patético e intolerável.

 

Não têm desculpa.

 

E não é novidade vermos agora quem defendeu medidas extremas de abandono da produção, verberar contra o facto de não termos essa mesma produção e, até, incentivando a que ela recomece pela importância que tem para o país. Só agora o viram? Para grandes cabeças têm muito pouco lá dentro.

 

É até vergonhoso ouvir dizer que tivemos um primeiro-ministro que governou quarenta anos em ditadura, onde tudo era permitido contra o povo, mas que durante todo esse tempo só teve um automóvel, velhinho, bem tratado que tinha de durar. E agora? Até faz impressão a imensa frota que se acumula em alguns dias pelos caminhos das várias reuniões em que se envolvem ou mesmo nos melhores e mais caros restaurantes da cidade, o brilho dos euros é fascinante.

 

A falência do país, começou exactamente no momento em que alguém conjecturou um golpe de estado sem se dar conta que não estava preparado para pôr este país na mesma linha dos países democráticos europeus.

Esse que agora clama por um Salazar que só não depôs porque ele tinha morrido faz tempo, ou se calhar não conseguiria correr com ele.

Apresenta-se agora como um arrependido, choroso da estrada que o país percorre, arrependido de o ter feito, devia calar-se.

 

O que ele fez fica na história, bem para uns, mal para outros, mas não podemos esquecer que o melhor bem que dali veio foi a libertação deste povo, o resto, quer económica, quer socialmente foi uma diversão cuja conta chegou passados trinta e seis anos, mas ele já está reformado e confortável.

 

A falência do país continuou com aqueles que só se juntaram a esta aventura na mira de, de alguma forma, vir a beneficiar dela e foram muitos, a maioria são os que agora reclamam contra o factor trabalho, que tem de se reduzir salários e pensões, que tem de se diminuir o estado social, tudo isto do cimo das suas múltiplas reformas que, essas sim, já deviam ter sido reduzidas ao mínimo da decência para bem de Portugal.

 

A falência do país continuou com os partidos que se alcandoraram ao estatuto de representantes de um povo que vota neles para o defenderem e já começa a perceber que afinal só se sabem defender a eles próprios.

 

Já alguém ouviu esta gente defender que se deveria começar por limitar estas chorudas e múltiplas reformas, em muitos casos de quem nunca descontou para elas, permitindo o que devia ser um direito de todos a ter uma reforma e não mais do que isso?

 

Certamente a Finlândia não teria tantas reticências em ajudar-nos, é que lá isto era impensável, e nós não estaríamos desesperadamente à procura de não nos afogarmos.


publicado por: canetadapoesia às 13:33
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