Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

Os novos pastores

 

Nada é como era, tudo está em mudança, a grande verdade é que se esta mudança é reconhecida como algo de novo, algo dos tempos que vivemos agora, já, também não é menos verdade que já era cantada pelo grande poeta português Luís Vaz de Camões.

 

Dizia ele uns séculos atrás, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades”, sabia-a toda este Camões e só via de um olho, se tivesse os dois não sei não.

 

Mas o que me interessa é a observação que faço da actualidade, embora não esqueça este génio. O que observo é uma grande mudança em todo o ambiente que nos rodeia, desde o trabalho às relações entre as pessoas, tudo tem mudado, tudo está em constante mudança.

 

Vem esta estória da mudança a propósito de pastores, admirados? Pastores pois, como não podia deixar de ser também eles a verem a mudança a acelerar à sua volta e tudo se alterar. Pastores que se têm adaptado aos novos tempos, têm telemóveis, utilizam veículos todo-o-terreno, enfim modernizam-se.

 

O que espanta não é os pastores estarem em mudança, é que as ovelhas também estão e onde havia uma ovelha ranhosa num rebanho, agora poderá haver uma única ovelha não ranhosa num rebanho de ovelhas ranhosas.

 

Trocadilhos estranhos mas reais, senão vejamos o que acontece ao pastoreio nas ruas das nossas cidades.

 

Começa por se acumular o rebanho, vindo dos pontos mais dispares do país, num local ermo, de preferência, juntam-se naquilo que se vulgarizou chamar de um quadrado e, depois de todo reunido, leva-se então o rebanho a pastos frescos.

 

Os pastores, esses estão pejados de tecnologias modernas.

 

Têm radiocomunicações espetadas nos ouvidos para se entenderem uns aos outros, vestidos a condizer, como todo o bom pastor, roupas negras, capacetes azuis com viseira anti-quebra, calçam botas e usam caneleiras e joelheiras de couro reforçado, ombreiras de igual confecção, tudo para evitar alguma marrada na certa que, por vezes, as ovelhas tresmalham-se e toca a marrar contra tudo o que encontram pela frente.

 

Mas não é tudo, também carregam um círculo de um material inquebrável que lhes serve de escudo protector, se as ovelhas ranhosas investem na sua direcção. Na mão levam um cassetete, negro, feito de qualquer coisa que depois de forrada, também, a couro quando cai no lombo das ovelhas ranhosas é vê-las a saltar de alegria por terem o pastor por perto.

 

E lá vão no tal quadrado em direcção ao pasto, todos juntos a cantar de tanta alegria e felicidade sem que nenhuma, mas nenhuma ovelha ranhosa se atreva a sair do tal quadrado. Se tiver o atrevimento de o fazer logo lhe caem em cima uma data de pastores a ensinar-lhe po caminho de regresso ao quadrado.

 

Não me admira que os pastores se adaptem aos novos tempos e às tecnologias ao seu dispor, já me assusta ver tantas ovelhas num quadrado cantando alegremente. Será que a teoria de Darwin está correcta e as espécies evoluem de forma diferente? Umas mais lentas que outras?

 

Tanta ovelha, tanta ovelha ranhosa. Não imaginava que ainda houvesse tantas depois de tanta mudança à nossa volta.

 

Que pena as ovelhas não evoluírem mais depressa, talvez não fossem precisos tantos pastores.


publicado por: canetadapoesia às 15:04
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