Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

A escolha

 

Nem sempre é fácil, nem está ali à mão de semear. Escolher implica que se esteja ciente das vantagens e desvantagens daquilo que vai ser uma opção entre uma ou outra coisa.

 

Ficámos perante o espectro da escolha que nos foi servida de bandeja no último domingo e que escolha. Não sei se todos tiveram o mesmo problema que eu, mas garanto que esta escolha foi difícil. Até aceito que seja problema meu, que não sei escolher, que não sei analisar, entre o que tinha à disposição, qual o melhor candidato ou o que seria melhor para o país e para mim também, é claro.

 

Mas o certo é que tive imensa dificuldade. De um lado um candidato que se recandidatava, com nítidas vantagens à partida, mas em quem eu não depositava grande confiança. Não podia depositar toda a confiança em quem me garantia agora, que iria ser mais duro, mais interventivo na política do país e nomeadamente nas actividades do governo.

 

Só esta declaração me pôs logo de pé atrás, então ao fim de cinco anos agora é que ia ser? Então cinco anos anteriores foram só para apreciar a paisagem? E quem me garante que iria ser agora? Bom, à partida agora já não pode ser reeleito outra vez e, assim, tudo se torna mais fácil, mas não mais aceitável.

 

Do outro lado, uma esquerda fraccionada onde vários candidatos se perfilavam para abocanhar, também, alguma vitória eleitoral canalizando para si o descontentamento do povo português.

 

Não foi fácil escolher, não senhor.

 

Quanto desperdício.

 

Nem o voto útil funcionou dada a enorme variedade de candidatos, cada qual com a sua própria perspectiva e diferença. Assim não vamos lá. Destruímos a hipótese de agregar à volta de algo tão importante como o país e a figura do seu presidente, a vontade de todos os portugueses, que, certamente, tiveram a mesma dificuldade que eu na escolha.

 

Não houve fibra, vontade esmagadora, liderança eficaz para trazer os portugueses ao país real. Foram afastados das urnas, foram afastados da luta pelo país e os resultados assim o demonstram.

 

Quase sessenta por cento dos votos foram para o espaço, entre não votantes, abstencionistas, e votos brancos ou nulos, o país perdeu-se e perdeu mais uma oportunidade de se unir em defesa dos valores que estiveram na origem da sua criação, dos valores renovados com a revolução de Abril e com a reintrodução da democracia.

 

Candidatos sem alma, sem fogo, sem corações ardentes, defensores de princípios, sobretudo com ideias que se entendessem para que a mobilização fosse efectiva. Notou-se, de facto, uma enorme falta de ideias e de perspectivas para o país, entediante, desolador, um autêntico deserto.

 

Que miséria de escolha.

 

Se houve vencedores, foi sem dúvida a maioria dos descontentes que não votaram ou anularam os seus votos, a isto se chama a “maioria silenciosa”, essa sim, a maioria, indiscutivelmente.

 

E, das promessas de que agora é que ía ser, ficaram só as promessas. Não ía ser, não tem sido e a desilusão ainda é maior quando ouço dizer que é o que representa todos os portugueses. Todos? Mas quase sessenta por cento nem se deram ao trabalho de votar!!! Afinal que representação é esta?

 

 


publicado por: canetadapoesia às 11:45
link do post | comentar | favorito

.Mais sobre mim


. Ver perfil

. Seguir meu perfil

. 15 seguidores

.Pesquisar

 

.Abril 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Posts recentes

. Consoada numa terra dista...

. Finalmente juntos (39º Ca...

. Encontro ao fim da tarde ...

. Num país diferente (37º C...

. Sobrevivência (36º Capítu...

. Evolução na confusão (35º...

. Preocupação (34º Capítulo...

. E agora? Que fazer? (33º ...

. Uma oferta excepcional (3...

. Inesperado (31º Capítulo)

.Arquivos

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Agosto 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

.Links

SAPO Blogs

.subscrever feeds