Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013

Momentos do futuro livro "Os três mafarricos - Noite escura, Meia de Leite e Branquelas".

"Estavam em tensão máxima, agora, Branquelas, ouvia claramente o coração a bater desalmadamente, a adrenalina subia-lhe ao córtex cerebral, tentava desesperadamente pensar. Queria encontrar uma solução que lhes permitisse sair dali ilesos e sem serem capturados, não conseguia pensar, estava agora preparado para uma reacção imediata ao perigo que os cercava e ele lá estava, na forma dos comandos espalhados por aquela chana imensa em que também eles se acoitavam e procuravam passar dissimulados. O piar do mocho nocturno a distâncias tão díspares soltou-lhe a imaginação e o entendimento daquilo que se estava a passar.

Afinal o que ele temia aconteceu. O exército oficial ia capitalizar, o ataque que tinham feito, a seu favor e com base na sua protecção e segurança resolveu efectuar a perseguição muito para além das suas fronteiras. Entraram na Zazânia com toda a força das suas forças especiais, os seus comandos estavam na zona para perseguir todos os que conseguissem salvar-se do ataque à vila e, estava certo, seria mais devastador. Não sairiam sem aniquilar ou capturar todos os que pudessem e destruir os parcos meios de subsistência que mantinham nas lavras ao redor das aldeias, a experiência de todos estes anos garantia-lhe isso.

Por meia hora mantiveram-se ali, agachados, ouvidos atentos, nem um som, não se ouvia nada, até a passarada estava silenciosa o que era mau presságio. Quando se calam é sinal que há animais na redondeza e estes talvez sejam os mais ferozes da natureza, os que matam, não por necessidade de se alimentarem mas por razões políticas, por razões que só o animal homem descobre, inventa e desenvolve. Não seriam eles a mesma coisa? Pensou Branquelas, eram com certeza produto do mesmo fabrico, o animal homem, o animal mais feroz do mundo, o predador irracional e sem escrúpulos que lutava, matava e destruía em nome de algo que ele próprio tinha criado, o sentido de dever à pátria."


publicado por: canetadapoesia às 22:33
link do post | comentar | favorito

.Mais sobre mim


. Ver perfil

. Seguir meu perfil

. 15 seguidores

.Pesquisar

 

.Junho 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Posts recentes

. Orgulho

. 10 de JUNHO

. A república revisitada

. Consoada numa terra dista...

. Finalmente juntos (39º Ca...

. Encontro ao fim da tarde ...

. Num país diferente (37º C...

. Sobrevivência (36º Capítu...

. Evolução na confusão (35º...

. Preocupação (34º Capítulo...

.Arquivos

. Junho 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Agosto 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

.Links

SAPO Blogs

.subscrever feeds