Segunda-feira, 11 de Junho de 2018

Orgulho

 

 

Há relativamente poucos dias escrevi alguma coisa sobre a vergonha, a vergonha que senti por assistir a uma degradante situação de abandono daqueles que um dia, um longínquo dia, acreditaram que Portugal era a sua pátria.

 

Parece que me estava a antecipar a um programa a que assisti na RTP1 sobre uma operação que os portugueses organizaram na Guiné Conakri para resgate de prisioneiros, portugueses, que lá se encontravam, para além de outros objectivos estratégicos na altura.

 

A esta distância, não me interessa se a operação era boa ou má para Portugal e para a então guerra que se estendia a todas as ex-províncias ultramarinas.

 

Só me interessa o aspecto humano daquilo a que assisti.

 

Morreu muita gente, na quase totalidade elementos do contra da própria Guiné Conakri, a operação não se concluiu com a totalidade dos objectivos expressos à partida, mas redundou num profundo êxito porque foram resgatados todos os prisioneiros portugueses que lá se encontravam. Nem os americanos fizeram isto no Vietnam e eram muitos mais e mais bem armados.

 

O importante para mim foi ouvir aqueles homens, verdadeiros portugueses, ainda que de outras cores, a desfilarem o orgulho de serem comandos africanos do exército português e de terem conseguido resgatar todos os “nossos camaradas aprisionados”.

 

“Nossos camaradas aprisionados”, esta frase, dita com um brilhozinho nos olhos, diz tudo o que se possa dizer.

 

Por mim, posso adiantar que, ainda que o país não os acarinhe, eu também, e estou certo que muitos mais dirão a mesma coisa, estes homens são e serão sempre “nossos camaradas”, nossos companheiros de boas e más horas que, tristemente, têm sido abandonados pelos que agora clamam pelo valor da pátria.

 

Fiquei orgulhoso de os ter tido como camaradas.


publicado por: canetadapoesia às 21:28
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Domingo, 10 de Junho de 2018

10 de JUNHO

 

 

Cumpre-se, hoje, mais um dia de Portugal, perdoem-me ficar só por aqui.

 

Neste dia são homenageados aqueles que passaram além da Taprobana, que dobraram o cabo Bojador, os que defenderam a pátria, os que se notabilizaram de qualquer modo, de forma a serem publicamente reconhecidos como tal.

 

Também é neste dia que se homenageiam os combatentes do ultramar.

 

Felizmente há este dia para os homenagear, digo felizmente, porque durante o resto do ano são pura e simplesmente ignorados, olhados com desdém e até amaldiçoados, não se lhes dá nenhuma atenção nem se honram os princípios que os levaram a sacrificar-se, e a sacrificar as próprias vidas, em prol de uma nação que não os recebe como verdadeiros heróis, que o foram em situações bem difíceis.

 

Resta-lhes a fria listagem dos nomes em painéis pendurados num muro em que se pede silêncio e recolhimento ao visitante e, todos os anos, uma coroa de flores.

 

Hoje ser herói é ser jogador de um clube desportivo ou da selecção nacional, como está agora em voga.

 

Hoje ser patriota é desfraldar a bandeira nacional sempre que há jogos de futebol em que a selecção é participante.

 

Hoje ser herói é muito pequenino.

 

Ser herói nestas circunstâncias demonstra a que ponto chegou este país em que amiudadas vezes se troca a honra pela hipocrisia.

 

Não se conhecem as letras.

 

Não se sabe a história Nacional.

 

Não se conhece o hino Nacional.

 

Não se sabe até o que significa o feriado do 25 de Abril ou mesmo o de 10 de Junho.

 

Mas conhecem-se os nomes dos jogadores da selecção.

 

E, todos babados, olhamos para os nossos filhos quando os vemos discutir futebol ou a vida dos Ronaldos da bola.

 

Que futuro será o nosso se não honramos nem nos orgulhamos do passado.


publicado por: canetadapoesia às 21:41
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