Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

Um compasso no tempo antes que chegasse o novo ano

 

 

 

A procura de parar ou retardar, tanto quanto possível, o envelhecimento não é mais que a eterna busca da pedra filosofal, a capacidade e o poder de aproximação a Deus na tentativa de alterar as coisas ou manipulá-las a seu belo prazer.

 

Não procuro esta pedra filosofal, não pretendo aproximar-me de Deus mais do que ele mo permite, mas como eu gostava de ter na minha mão a possibilidade de parar o tempo!

 

Se eu pudesse parar o tempo garanto que este ano não haveria passagem para outro. Faria com que o tempo se quedasse mudo e imóvel assim ficando até que a borrasca passasse. Até que a crise nos abandonasse e, finalmente, nos deixasse respirar aliviados e confortados pela perspectiva de termos uma verdadeira passagem de ano que nos aproximasse dos votos que sempre fazemos nesta altura.

 

Bom ano, desejamos nós a todos os que nos escutam, que o novo ano traga tudo de bom, esperamos nós desejando aos outros o que eles nos desejam. Mas o ano que vem não vai ser pródigo nestas aproximações de adivinhação, pela amostra deste e pelos pressupostos que arrasta consigo vai ser mau, muito mau.

 

E por isso eu queria ter o poder de o parar, fazer um compasso de espera, criar um “gap” temporal que permitisse alguma reorganização do mundo, uma melhor preparação para o ano que aí vem.

 

Mas não tenho esse poder, não está nas minhas mãos parar o tempo. Ele há-de correr inexoravelmente para o próximo ano, para a próxima década, independentemente do que se possa passar, ignorando até os pedidos de bom ano, passará para 2016, o ano da travessia de uma crise cujos contornos se esbatem já no tempo e não me parece que apresentem melhoras nenhumas.

 

Resta-me, apesar de tudo, confortado pelo meu visceral optimismo desejar a todos do fundo do coração,

 

UM BOM ANO NOVO

que as esperanças se tornem realidade e as dificuldades se desvaneçam no muito que todos queremos ultrapassar os maus momentos do ano que se finda.

 

 

 

 

Luis Filipe Carvalho


publicado por: canetadapoesia às 00:24
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015

Aos amigos neste Natal

 

 

 

Mesmo quando dizemos que estes são dias como os outros, que nada há de diferente e que até incomoda tanta azáfama nesta quadra, não deixamos de a sentir e de reviver outras quadras que, como esta, também passarão assim que se fechar a última luzinha brilhante da última iluminação natalícia.

 

Por isso, aqui quero deixar os meus votos também. Não o farei individualmente, tarefa demorada dado o interesse em chegar a todos, assim fica mais abrangente e com possibilidade de todos neles se enquadrarem.

 

Quero agradecer a todos os amigos, os actuais, os novos que aí virão e mesmo àqueles que o foram e deixaram de ser por motivos que só a eles dizem respeito, mas que, com grande mágoa minha, se afastam sem uma palavra.

 

A todos, mas mesmo a todos, desejo umas boas festas, um Natal feliz e que o ano novo traga alguma coisa de verdadeiramente nova e nessa coisa que desejo, incluo a amizade. A amizade que é talvez, na minha modesta opinião, a coisa mais importante do mundo. A amizade não se compra nem se vende, dá-se.

 

De livre vontade nos entregamos aos amigos e deles fazemos uma parte importante da vida, da nossa e da deles. De livre vontade nos afastamos de alguns e que pena que isso aconteça, estaremos a destruir parte do nosso ser, parte da nossa alegria, parte da nossa vida. Uma amizade que se perde é menos uma luzinha brilhante em cada novo Natal e eu quero a minha árvore bem iluminada. Da mesma forma, alguns se afastam de nós, quantas vezes por motivos fúteis, mas a vida é assim mesmo.

 

Tenham uma noite de consoada bem junto de todos os que vos são queridos e que este Natal nos traga a paz e felicidade de podermos lembrar-nos que, embora noutros locais, teremos os amigos a comungar da mesma felicidade.

 

Boas festas para todos, amigos próximos, afastados, menos ou mais amigos e futuros amigos, nesta ou noutras terras que o mundo é cada vez mais pequenino.

 

Luis Filipe Carvalho


publicado por: canetadapoesia às 15:44
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Sábado, 19 de Dezembro de 2015

...

Encontro com a Luz

 

Primeiro estranhou. A chuva não era assim tão intensa, podia mesmo dizer-se que era uma chuva mansa, calma, sossegada e própria para os dias como este. Depois, apesar desta chuvinha, do canto onde se abrigava conseguiu distinguir uma estrela a despontar no céu azul negro que vislumbrava para lá dos pingos de chuva.

 

Pensou que, eventualmente, a chuva só estava a cair para limpar os céus da poluição acumulada e permitir-lhe neste dia, em que a solidão mais se fazia sentir, ver a abóbada celeste, não em todo o seu esplendor, mas no possível já que visto de uma cidade cuja feérica iluminação, para as comemorações da época, pouco deixavam à vista para apreciar a criação do universo, mas assim, sentir-se-ia mais acompanhado.

 

Num relance de vista, entre a queda das gotas de chuva e uma abertura no céu, distinguiu claramente a via láctea. Engraçado, não se lembrava de alguma vez a ter conseguido ver nesta cidade. Mas lá estava ela, bela, resplandecente e cheiinha de estrelas, pequeninas, maiores, planetinhas minúsculos, à vista desarmada, que no seu conjunto permitiam um espectáculo único e imperdível, a via láctea, quem diria.

 

Com estas apreciações e circunspecções à roda destas pequenas maravilhas, mal tinha dado pelo terminar da chuva. Levantou-se, aproximou-se mais do passeio e experimentou a sensação do ar fresco acabadinho de ser molhado pela chuva.

 

Continuou a apreciar o céu e a via láctea que a achou mais bela do que quando a viu a primeira vez numa quinta de um parente, há muito desaparecido, para o interior do país e nas planícies do Alentejo.

 

Perdido na sua contemplação foi andando rua acima de cabeça no ar sem querer perder nada deste encanto de ser iluminado pelas estrelas e ter a via láctea como auto-estrada. De tempos a tempos uma estrela cadente passava rapidamente, cruzando o céu e correndo como que paralela à via que ele seguia com o olhar e agora também no caminhar.

 

Estranhou que todas estas forças se tivessem juntado para lhe prestar esta homenagem numa noite tão fria, mas também tão festiva, era Natal. O seu não seria diferente de tantos outros ou mesmo dos outros dias, mas era um dia especial, um dia em que tudo poderia acontecer, e aconteceu.

 

Aconteceu que na sua contemplação lhe pareceu ver uma descida da via láctea no preciso local onde as estrelas também pareciam cair. Quase diria que se juntavam num só ponto de onde, aliás, irradiava uma luz muito mais brilhante que a de qualquer estrelas.

 

Quis averiguar, saber o que era, o que acontecia naquele preciso ponto e ao caminhar olhando o céu e o ponto luminoso distante, que sentia cada vez mais perto, não e deu conta que já não caminhava sozinho, atrás de si já havia uma pequena multidão de caminhantes, todos olhando o céu e as estrelas, todos dirigindo-se ao ponto luminoso.

 

Finalmente deparou-se com o local exacto onde lhe pareciam cair as estrelas e a própria via láctea. Por momentos hesitou, não lhe parecia nada de anormal, nada fora do comum, nada que não estivesse habituado a ver. Um armazém, era o seu aspecto, nada mais que um armazém, embora com alguma diferença dos que conhecia no dia a dia da sua vida de caminhante da rua.

 

Este estava iluminado, cheio de gente a entrar pela porta, na qual, algumas pessoas convidavam outros a entrar. Aproximou-se mais, mais e mais e pode apreciar a azáfama que se vivia no seu interior. Mesas postas, enormes mesas, compridas, onde pessoas sentadas aguardavam uma refeição que outra quantidade de gente se afadigava em servir.

 

Uma refeição quente, pensou, que bem lhe saberia.

 

E entrou, sentou-se onde lhe indicaram, serviram-lhe a refeição quentinha e fumegante.

 

Afinal, pensou com os seus botões, a via láctea apareceu-lhe com o propósito de lhe proporcionar uma noite diferente, uma noite melhor e acompanhado pela quantidade de conhecidos, desconhecidos que se sentavam à volta da imensa mesa. A sua mesa de Natal.

 

Naquele ponto, como outrora a estrela indicara o nascimento do menino, juntaram-se as estrelas para indicar que o menino estava ali também, metamorfoseado de tanta gente boa que lhe seguia os passos na ajuda aos seus semelhantes.

 

Foi uma noite diferente. Foi uma noite que perdurou pelos anos seguintes e em que, cada uma das noites que se lhe seguiu, permitiu ver a via láctea a indicar-nos um caminho, qualquer que ele seja, um caminho de encontro ao nosso semelhante.

 

 


publicado por: canetadapoesia às 00:53
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015

...

Presépio

 

Este ano vou fazer um presépio diferente.

 

Limitei-me a manter Maria, José, o menino e uma ovelhinha e explico porquê.

 

O casal e o menino porque representam o verdadeiro espírito desta noite sagrada de Natal.

 

A ovelhinha que aqui representa a inocência de todos os que ainda têm a faculdade de acreditar em promessas incumpridas.

 

Retirei os três reis magos por razões de equidade, tinham de sair os três.

 

O do ouro, porque quanto mais nos ofertar maior a nossa dívida, está inversamente proporcional à oferta.

 

O do incenso, porque era um esforço desnecessário estar a tentar fazer com que isto cheire melhorzinho quando cada vez é mais nauseabundo.

 

E o terceiro, o Gaspar, para não ofertar mais mirra que mirrados já estamos nós e era por demais acintoso juntá-lo, neste momento, à família sagrada.

 

Por uma questão de equidade.

 

 

Luis Filipe Carvalho


publicado por: canetadapoesia às 21:46
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