Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

O ribombar da noite

 

Estava mesmo a precisar de um soninho reparador. Não que estivesse muito cansado, mas a perspectiva de ter de me levantar antes das galinhas no dia seguinte, antecipava o gozo de me atirar para a cama mais cedo.

 

E não pensem que estou a brincar, não, é que dá mesmo gozo.

 

Deitadinho na cama, tapado com o edredão, ouvindo uma daquelas músicas dos anos 60/70 e olhando o céu. Ah, pois é, olhando o céu do quentinho da cama, tão bom. Mas eu explico, durmo sempre com a persiana da janela aberta e então está explicado que esta é uma janela especial.

 

É uma janela especial porque por ela entra o mundo, entre o sol, quando o há, e que bom acordar com ele a abraçar-nos com todo o seu calor. Também entra o luar das noites de Agosto, lindo iluminando a noite e o meu quarto com toda a força da sua generosidade.

 

Por ser de vidro, ainda que duplo, permite também que saia alguma coisa, e desde logo sai o olhar, o meu olhar que se espraia pela janela penetrando o exterior, o lá fora, perscrutando os céus e apreciando a beleza das estrelas, apreciando os melros de namoro nos ramos da árvore quando sentem a aproximação da primavera. Também vejo a tempestade, e aprecio-a quando se vai aproximando de mansinho, qual exército Napoleónico, agrupa-se lentamente, enche as entranhas e de repente, ela aí está, uma borrasca daquelas.

 

E ontem foi assim, juntaram-se umas nuvenzinhas, mas nada, não caía nada de água. Por um momento o céu desabou, ou pôs-se a chorar desalmadamente por alguma maldade que lhe fizeram, concerteza. E foi um clamor de som de água caindo desamparada pelos telhados, escorrendo das paredes dos edifícios, correndo por estreitos corredores de escoamento e acabando a desabar na calçada espalhando-se pela rua,

 

Da minha cama, onde me tinha aninhado mais cedo, apostando até no adormecer ao som da chuva, eu vi, eram trovões, alguns relâmpagos e água, muita água mesmo, bátegas inteiras sem sequer dar hipótese de se pedir meia dose.

 

Mas, apesar de ir acordando amiúde, nada se perdia, pois a cada acordar novo prazer se apresentava, o olhar o céu, sentir a chuva, ouvir os trovões e voltar a adormecer.

 

Que delícia. Adormecer a ouvir o ribombar da noite.


publicado por: canetadapoesia às 21:26
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

Engraçado

 

Sempre achei mais interessante ouvir as pessoas que propriamente ser eu a falar. Porque sempre pensei que o dom da palavra não é para todos e que falar exige, sobretudo, uma articulação perfeita, impecável, sem lacunas e muito menos erros.

 

Por outro lado, ouvir implica uma atenção redobrada porque nos leva, ao mesmo tempo, a perscrutar as palavras, o seu sentido, o que significam, o que quererão dizer naquele específico contexto.

 

Deixa-nos o espaço, também, para olhar de outra forma para aquilo que os oradores vão debitando. Palavras atrás de palavras, frases que se sucedem, contextos dos mais diversos e coerência entre tudo isto, coerência, o que mais gosto de apreciar.

 

Vem isto a propósito de um discurso que ouvi pela televisão em que o presidente da Nova Cidadania, acho que é assim que se chama, falando numa reunião em que sobressaía a presença do presidente do maior partido da oposição, aquele que se anunciava já como futuro governo, um governo que prometeu baixar impostos e defender o cidadão e que na volta, sem programa e entalado pela asneira de chumbar o PEC, anda às voltas como uma barata tonta disparando em todos os sentidos, desdizendo o que disse e aumentando o receio, para não dizer a certeza, que possamos ir desta para pior, como atento bebedor daquelas sapientes palavras.

 

Chamava a atenção para a necessidade de nos próximos quatro a cinco anos ser exigida uma maior participação aos portugueses para resolução da crise em que o país se encontra, descodificando, mais impostos, mais sacrifícios mais miséria no país.

 

Por isto gosto mais de ouvir que de falar. E é engraçado pensarmos que em tempos de bonança, de crescimento económico, todos estes senhores se esquecem de que existem outras pessoas que não somente eles. Existem pessoas que pelo seu trabalho e pela sua cidadania permitem que apareçam tantos papagaios esvoaçando em volta do pote da abundância.

 

Pois todos estes papagaios esvoaçam agora à volta dos desgraçados portugueses preparando-os para lhes sacar ainda mais do que já têm tirado. Sempre com o seu apurado sentido de estado, em defesa da Nação. Só enganam os que querem ser enganados.

 

Alegam que todos estes sacrifícios se impõem por falta de medidas tomadas a tempo e horas para remediar ou minimizar a crise. Inteiramente de acordo. Só pergunto se essas medidas não eram para ser tomadas por quem como eles sempre esteve no poder, próximo dele, ou assegurando-lhe a continuidade.

 

Quando as coisas estão bem, correm bem e há lucros a retirar, então o êxito deve-se aos grandes gestores que se pagam principescamente por isso e se esquecem de distribuir as migalhas que restam. Quando as coisas correm mal, os proveitos diminuem e a economia entra em crise, mercê das medidas erradas destes senhores, então a crise tem de ser paga por todos os que não beneficiaram dela e não nos esqueçamos que este todos significa que falamos de pessoas em diferentes patamares de rendimento.

 

Tenham dó, a paciência tem limites.

 

Valia mais que se calassem para não ficarem tão mal na fotografia.


publicado por: canetadapoesia às 13:17
link do post | comentar | favorito

Já vem de longe

 

Colbert foi ministro de Estado e da economia do rei Luiz XIV.
Mazarino era cardeal e estadista italiano que serviu como primeiro-ministro na França. Notável coleccionador de arte e jóias, particularmente diamantes, deixou por herança os "diamantes Mazarino" para Luís XIV, em 1661, alguns dos quais permanecem na colecção do museu do Louvre em Paris.

 

DIÁLOGO ENTRE COLBERT E MAZARINO, DURANTE O REINADO DE LUíS XIV:

 

 

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

 

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

 

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter, se já criámos todos os impostos imagináveis?

 

Mazarino: Criam-se outros!

 

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

 

Mazarino: Sim, é impossível.

 

Colbert: E, então, os ricos?

 

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

 

Colbert: Então como havemos de fazer?

 

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: são os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!... Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável.


publicado por: canetadapoesia às 13:08
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013

À roda da letra “P”

 

Parece uma simples letra o “P”, parece simples mas pode complicar-se pois esta letra simples, parte do alfabeto que conhecemos e tão inocente pode ser o início de várias palavras com forte conotação.

 

O “P” ou “p”, maiúsculo ou minúsculo, dependendo das circunstâncias da escrita e do poder que se lhe pretende adicionar, pode ser uma palavra doce, querida, desejada, pode também ter outra conotação, sendo, então, menos querida, nostálgica e até levada ao extremo da indignação.

 

O “P”ai, que todos estimamos e de quem devemos sempre a nossa vinda a este mundo, o “p”ão, de que todos nos alimentamos e que tanta falta faz a quem nada mais tem para levar à boca, o “p”razer, que tiramos de tudo o que nos agrade, momentos “p” que nos dão conforto e de que gostamos.

 

Por outro lado, o “p”ais que está tão abalado pela crise que atravessamos, o “P”ortugal que nos dá a nacionalidade e de que estamos cada vez mais arredados, o “p”oder de quem nos governa mal e muito se governa, o “p”inóquio que conhecemos da nossa infância e de cada mentira via crescer o seu nariz.

 

Isto são os “p” de que nos lembramos mas muito mais haveria a dizer dele.

 

É a letra que nos satisfaz e nos desagrada, é a letra que já não nos surpreende por ter transformado este “p”aís no “P”ortugal “p”inóquio.

 

Todos os dias se revelam as contradições do “p”olítico em que as verdades de ontem são as mentiras de hoje, e isto, em “p”olítica, é muito mau, é mesmo muito feio.

 

São estas contradições que criam a dúvida, as crispações, a descrença, o mal estar geral em que os “p”ortugueses se encontram por já não acreditarem nos “p”olíticos que ontem nos garantem que tudo está bem e hoje nos vergastam com crescentes paredes de dificuldade que se tornam cada dia mais difíceis de ultrapassar.

 

Estamos pois transformados num “p”aís de “p”inóquios em que os narizes crescem diariamente na medida de cada mentira atirada para os microfones da rádio e televisão a que assistimos.

 

E, na verdade, como na fábula, só existem “p”inóquios porque os Gepêtos deste “p”aís os criaram e lhes permitem as mentiras descaradas com que nos mimoseiam a toda a hora.


publicado por: canetadapoesia às 20:39
link do post | comentar | favorito

Gorduras a Eliminar

 

Nos tempos que correm e já de há anos a esta parte, tem sido recorrente a frase “eliminar gorduras”. Tudo o que é gente importante, pré-importante, pós-importante ou mesmo vontade-importante, tem sempre na ponta da língua, muitas viperinas, uma frase que cale os pretensos opositores, os anti-mudança, os contra Globalização e até os pró-Glocalização.

 

Complicado? Baralhados? Já percebem como as pessoas se sentem quando saem estes palavrões e se põem a pensar no que dizer, responder ou questionar. Claro que nem tempo têm para o efeito pois eles saem em tal catadupa e velocidade que nos deixam atordoados.

 

Mas enfim, só queria mesmo falar de um deles, daquele que mais efeitos nefastos têm tido na nossa economia, sociedade e nas pessoas em geral. Naquele que, apesar de ter sido criado com uma nobre ideia de defender a economia e as empresas, rapidamente se transformou numa ferramenta usada por estas para a pior utilização.

 

Naquele que, penso eu com os botõezinhos da minha camisa, podia ser bem e mais, muito mais utilizado em prol daquilo para que foi criado ou antes, a favor da ideia que brilhantemente o adicionou à crise que nos afectou enquanto player da economia Global em que o mundo se tornou.

 

Vai daí, pensando e recriando um conjunto de dados dispersos e algumas experiências pessoais chego à conclusão, que não pode ser brilhante pois sai da minha cabecinha que não é nada como as que inicialmente mencionei, que devia por dever, como agora se usa de novo dizer, patriótico, que há muito deixei de ter, ser parte da solução.

 

Ora aqui reside um pequeno problema, que não quero que seja existencial mas que seja interventivo, será que tomarão em devida conta, que se atreverão a pensar nele, que tentarão de alguma forma perceber esta perturbada cabecinha?

 

Não sei, também não me interessa, se não se importam com coisas mais importantes porque razões irão dar uma olhada por esta pequena intervenção de cidadania de quem nem aparece nos telejornais? E porque haveria de ter uma intervenção de cidadão preocupado se o que interessa é que eu pague os meus impostos, de preferência a tempo e horas, não importando os sacrifícios que isso contempla, e que, de vez em quando, vá botar o papelinho dobrado nas nobres urnas de voto.

 

Pois com tanta conversa, quase me esquecia do que muito a custo vinha sugerir como forma de eliminar as tais gorduras em excesso que por aí proliferam. É sabido que muitas foram eliminadas nos sectores privados, mesmo com a certeza de que muitas o foram por pura oportunidade de aproveitar a ideia para deitar para fora das empresas quem não nos agradava. Outras foram eliminadas no sector público, muito poucas que há muita clientela em jogo.

 

Outras há, em sectores do Estado que muito preocupam todas as pessoas que virão a utilizar esses serviços, que ainda não foram eliminadas. Por outras palavras, elimiram-se algumas neste sector de que falo, a Segurança Social, mas essas eram só as chamadas gorduras boas, as que não fazem mal ao colesterol, as grandes, as que entopem as veias e não deixam fluir o sangue com normalidade não foram sequer mencionadas.

 

E quais são essas más gorduras que sugiro sejam eliminadas de imediato para bem do colesterol e da saúde em geral do nosso Sistema de Segurança Social? Muito simples, as pensões que se acumulam com duvidosas legalidades e mesmo assim só permitidas por um mau sistema ainda vigente.

 

Se se cortam percentagens de ordenado ou de subsídios e até se eliminam sem grande alarido ou hipótese de contestação pelos atingidos, por maioria de razão se deveria poder efectuar os cortes necessários nas ditas pensões, que de moral só têem a parte final da palavra imoral.

 

Pensões em duplicado, triplicado, e mais outras quantas, pensões ganhas após seis meses de trabalho e sem terem descontado o suficiente para merecerem honras de afectarem negativamente as estatísticas, pensões abusivas que só deitam abaixo o sentido dever do Estado dar uma pensão justa a quem para ela toda a vida pagou.

 

Isto sim, seria “Eliminar Gorduras”, isto sim seria moralizar a sociedade, isto sim seria traçar um rumo em direcção àquilo que todos esperam e pensam ser um país civilizado.

 

Dúvidas? Dificuldades? Aconselho um estudo “in loco” nos países nórdicos que são campeões nesta matéria e até vivem bem melhor que nós.

Outras haverá, mas dessas falarei mais tarde.


publicado por: canetadapoesia às 17:48
link do post | comentar | favorito

A falência do País

 

Quando começou? Porque aconteceu? Claro que numa primeira abordagem e numa rápida resposta às questões se aponta logo para os trabalhadores e para a rigidez do código de trabalho, não dando, sequer, crédito a todos os empresários estrangeiros que aqui vieram estabelecer os seus negócios e que afirmam que esta legislação não impede que as empresas se afirmem e permite tudo o que for preciso fazer em termos de despedimentos.

 

Se duvidássemos, bastava olhar para a Auto Europa. Que melhor exemplo de boa convivência entre os detentores do capital que instalaram a fábrica e os seus próprios trabalhadores se poderia dar? Nenhum, porque em termos nacionais não há exemplos destes que nos permitam orgulhar do nosso patronato, dos detentores do capital nacionais.

 

Daqui partimos para as origens da falência do Estado português, era previsível, era visível, cheirava à distância, mas as grandes cabeças do país não o vislumbravam. Essas grandes cabeças que sempre foram parte do problema e que agora se deslocam para o lado da crítica a alguns, esquecendo-se que todos eles fizeram parte do grupo que remexeu o pote até à exaustão.

 

Uns porque defenderam o fim da nossa indústria e agricultura, outros porque, cegos com o brilho dos euros que nos vinham da EU, se atiraram a um despesismo sem limites a um abocanhar desmesurado, a um novo-riquismo patético e intolerável.

 

Não têm desculpa.

 

E não é novidade vermos agora quem defendeu medidas extremas de abandono da produção, verberar contra o facto de não termos essa mesma produção e, até, incentivando a que ela recomece pela importância que tem para o país. Só agora o viram? Para grandes cabeças têm muito pouco lá dentro.

 

É até vergonhoso ouvir dizer que tivemos um primeiro-ministro que governou quarenta anos em ditadura, onde tudo era permitido contra o povo, mas que durante todo esse tempo só teve um automóvel, velhinho, bem tratado que tinha de durar. E agora? Até faz impressão a imensa frota que se acumula em alguns dias pelos caminhos das várias reuniões em que se envolvem ou mesmo nos melhores e mais caros restaurantes da cidade, o brilho dos euros é fascinante.

 

A falência do país, começou exactamente no momento em que alguém conjecturou um golpe de estado sem se dar conta que não estava preparado para pôr este país na mesma linha dos países democráticos europeus.

Esse que agora clama por um Salazar que só não depôs porque ele tinha morrido faz tempo, ou se calhar não conseguiria correr com ele.

Apresenta-se agora como um arrependido, choroso da estrada que o país percorre, arrependido de o ter feito, devia calar-se.

 

O que ele fez fica na história, bem para uns, mal para outros, mas não podemos esquecer que o melhor bem que dali veio foi a libertação deste povo, o resto, quer económica, quer socialmente foi uma diversão cuja conta chegou passados trinta e seis anos, mas ele já está reformado e confortável.

 

A falência do país continuou com aqueles que só se juntaram a esta aventura na mira de, de alguma forma, vir a beneficiar dela e foram muitos, a maioria são os que agora reclamam contra o factor trabalho, que tem de se reduzir salários e pensões, que tem de se diminuir o estado social, tudo isto do cimo das suas múltiplas reformas que, essas sim, já deviam ter sido reduzidas ao mínimo da decência para bem de Portugal.

 

A falência do país continuou com os partidos que se alcandoraram ao estatuto de representantes de um povo que vota neles para o defenderem e já começa a perceber que afinal só se sabem defender a eles próprios.

 

Já alguém ouviu esta gente defender que se deveria começar por limitar estas chorudas e múltiplas reformas, em muitos casos de quem nunca descontou para elas, permitindo o que devia ser um direito de todos a ter uma reforma e não mais do que isso?

 

Certamente a Finlândia não teria tantas reticências em ajudar-nos, é que lá isto era impensável, e nós não estaríamos desesperadamente à procura de não nos afogarmos.


publicado por: canetadapoesia às 13:33
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 17 de Outubro de 2013

Made in Portugal ?

 

Passo a vida a defender os produtos portugueses, que se compre, que se consuma o que aqui se produz embora tenha a noção que muito se deixou de produzir e aparentemente cada vez se produza menos.

 

Culpas? Culpas há muitas, somos nós que nos deixamos embalar pelo canto da sereia, que deixamos que os vários governos tenham deitado abaixo a nossa produção nacional e que nos tenhamos acomodado ao facto de bastar receber dinheiro da EU para nada produzir já era muito bom.

 

Não era, não é, nunca será.

 

Deixámos de ter uma situação que se ia tornando cada vez mais confortável em matéria de produção de bens alimentares, por exemplo de quase cinquenta por cento de cereais que produzíamos face ao que importávamos descemos para vinte por cento, não se faz. E não se faz porque altera e deteriora a balança comercial, com mais importações do que deveríamos ter, ajudando ao aumento do défice das nossas contas e, ao fim destes anos, nos levou a esta triste situação de termos de novo o FMI em Portugal.

 

O FMI em Portugal não é tão mau como possam pensar, perdemos soberania, dizem alguns, mas isso não se deve ao FMI, deve-se a quem tem governado estes anos todos sem o fazer para o país que jurou defender mas para outras coisas que não vêem agora ao caso.

 

Ao FMI só peço uma pequenina coisita, fiquem muito tempo, fiquem o tempo que for preciso para que voltemos a ser um país, mesmo que no fim já não haja portugueses para ver o resultado.

 

Já me estou a afastar do que queria dizer, tenho este problema, falo pouco mas tenho uma cabeça como muita gente tem a língua, ávida de se mexer e então as ideias multiplicam-se, cruzam-se, sobrepõem-se e tenho dificuldade em me concentrar numa só ideia.

 

Mas do que eu queria falar era dos produtos portugueses e da sua aquisição e consumo, farto-me de dizer que o devemos fazer, procurar nas prateleiras dos supermercados os produtos fabricados e produzidos cá e, pelo menos em termos de igualdade de preços, optarmos por eles, ajudando a economia nacional e os produtores que nos são próximos.

 

Hoje senti-me triste, muito triste, porque se os cidadãos procuram defender esta ideia dos produtos nacionais, melhor seria que as empresas, os empresários portugueses também o fizessem e até o fizessem mais e melhor, até em benefício próprio.

 

Hoje fui almoçar a um local dos poucos que estão abertos ao Domingo e que conhecia e sabia o que têem sempre disponível nesse dia, Cozido à portuguesa e Bacalhau à lagareiro, escolhi o último. Adoro aquele sabor mediterrânico, bacalhau muito português, azeite quanto baste e o sabor do alho, fantástico.

 

Mas o imponderável aconteceu, pedi palitos no fim da refeição. Qual não é o meu espanto quando deparo com palitos, palitos senhores coisa que é feita em quantidade e qualidade neste país, pois os palitos eram americanos “Made in USA”, fiquei incrédulo, não acreditei, peguei noutro e mais outro, não havia dúvidas eram mesmo palitos fabricados nos USA.

 

Incrível, pensei, podia ser que fossem muito mais baratos mas até nisso tenho dúvidas. Estes empresários não estão na nossa onda de consumir o que é português e nós, então, também a temos de repensar ou, no mínimo, eliminar aqueles que não querem ajudar o país, deixar de consumir o que estes ingratos empresários produzem, há outros.

 

Incrível, palitos americanos.


publicado por: canetadapoesia às 18:40
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

Social-democracia

 

A social-democracia é uma ideologia política de esquerda que surgiu no fim do século XIX por partidários do marxismo que acreditavam que a transição para uma sociedade, dita, socialista poderia ocorrer sem ser através de uma revolução, mas, antes, por meio de uma evolução.

 

A ideologia social-democrata defende uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de o tornar mais igualitário, geralmente tendo como meta uma sociedade socialista.

 

O conceito de social-democracia tem vindo a mudar com o passar das décadas desde a sua introdução, no entanto, a diferença fundamental entre a social-democracia e outras formas de socialismo, como o marxismo ortodoxo, encontra-se na crença da supremacia da acção política contrastando, assim, com a supremacia da acção económica ou determinismo económico sócio industrial. Isto ocorre desde o século XIX.

 

Historicamente, os partidos social-democratas advogaram o socialismo de maneira estrita, a ser atingido através da luta de classes. No início do século XX, entretanto, vários partidos socialistas começaram a rejeitar a revolução e outras ideias tradicionais do marxismo como a luta de classes, e passaram a adquirir posições mais moderadas. Essas posições mais moderadas incluíram uma crença de que o reformismo era uma maneira possível de atingir o socialismo.

 

No entanto, a social-democracia moderna desviou-se do socialismo, gerando adeptos da ideia de um Estado de bem-estar social democrático, incorporando elementos tanto do socialismo como do capitalismo. Os sociais-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo, tais como programas de subsídios ou abonos.

 

Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem como objectivo substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema económico caracterizado pela propriedade colectiva dos meios de produção pelos trabalhadores.

 

Actualmente em vários países, os sociais-democratas actuam em conjunto com os socialistas democráticos, que, no espectro político, se situam à esquerda da social-democracia. Os dois movimentos podem, por vezes, encontrar-se dentro do mesmo partido político.

 

Alguns partidos sociais-democratas, começaram a agir dentro de políticas económicas neoliberais, originando o que foi caracterizado por "Terceira Via” (Giddens). Isto gerou, além de grande controvérsia, uma grave crise de identidade entre os membros e eleitores desses partidos. Ainda hoje, talvez mais ainda que outrora, se mantém esta controvérsia e esta crise de identidade.

 

A situação em Portugal, caracteriza-se pela Internacional Socialista ter como representante o Partido Socialista. Não obstante, existir o Partido Social Democrata, que tem, ultimamente, tido um posicionamento de centro-direita, mas esteve, originariamente, pela acção de Francisco Sá Carneiro, em vários contactos internacionais, destinado a integrar-se na Internacional Socialista e, consequentemente, no Partido Socialista Europeu, para, assim, se alicerçar, a sua natureza de partido reformista, social-democrata e europeísta.

 

Quando foi criado em 1974, o então PPD pretendeu a integração na Internacional Socialista, mas, a influência de veto do PS impediu esse reconhecimento, visto que o Partido Socialista (PS) foi sintomaticamente fundado na Alemanha em 1973, apadrinhado pelo Partido Social Democrata alemão, arrogando-se de ter mais fortes vínculos com a Internacional Socialista do que o PSD, apesar de Francisco Sá Carneiro se ter empenhado na afirmação do PSD como a representação mais forte da social-democracia em Portugal.

 

Torna-se, de facto, paradoxal, que o PSD, na actualidade, um partido de natureza social-democrata e com carácter não confessional, que foi fundado por alguns republicanos «históricos», continuar filiado, a nível internacional, em estruturas partidárias com carácter cristão, liberal e conservador, visto que, a verdadeira identidade do PSD, se opõe às concepções políticas defendidas pelo liberalismo clássico e pelo conservadorismo: os princípios fundamentais do PSD, quer no plano programático, quer ao nível das políticas concretas, só o tornam verdadeiro PSD quando é fiel à sua matriz política e ideológica – um partido personalista, reformista, humanista e social-democrata.

 

A gestão neutra da comunidade, alheia a preocupações de solidariedade e a valores colectivos, ameaça a dignidade de cada pessoa, não é suficiente para enfrentar assimetrias graves, gera novas desigualdades e situações de pobreza e marginalização, ferindo os princípios fundamentais da justiça e da solidariedade.

 

O PSD repudia os modelos políticos que defendem privilégios de classe, que sobrevalorizam a eficácia e a confiança cega no mercado, levando ao triunfo do mais forte e de estruturas hierarquizadas e elitistas da sociedade. Tais modelos introduzem rupturas no tecido social e destroem na prática qualquer possibilidade de uma efectiva igualdade de oportunidades e de uma verdadeira solidariedade social. Também não subscreve posições conservadoras, avessas à mudança cultural, social e económica, ao enfrentar de novos desafios e à superação de quadros rígidos de afirmação pública, social e administrativa com que as sociedades modernas são confrontadas.

 

Isto é a social-democracia que se pretende regresse às origens do PSD para que deixe de confundir os verdadeiros social-democratas e termine de vez a controvérsia de identidade.


publicado por: canetadapoesia às 22:09
link do post | comentar | favorito

Momentos de "Duas vidas & mais uma"

"Como se chegou a isto? Pensou. Provavelmente porque pessoas como eu nunca se importaram com nada do que se passava, com nenhum dos indícios de pobreza que alastravam como lepra pelo país, sobretudo, mais visível na cidade grande, a foz do imenso rio onde desaguam diariamente milhares de pessoas e onde todos vêm, do interior, à procura de uma vida melhor, de uma nova vida. Largavam os campos cujo trabalho era intenso, cansativo e mal pago na esperança que a cidade lhes ofertasse uma nova oportunidade. Na sua falta, acabavam desistindo da luta e não menos, desistindo da vida.

Aqui se encontravam os deserdados que nada tinham, nada podiam mas, mesmo assim, muito ofereciam.

A primeira paragem estava marcada para a estação dos caminhos-de-ferro. Aqui chegavam a contar-se uma centena de desabrigados com tendência a aumentar a cada dia que passava. Sabiam que as carrinhas da distribuição chegavam sempre ali, e tinham a noção exacta da hora a que estaria disponível um pequeno repasto que os aconchegaria para mais uma noite ao relento.

A utilização da estação dos caminhos-de-ferro explicava-se facilmente pela acessibilidade de que dispunha. Estava aberta 24 horas por dia, o seu átrio central, enorme, permitia um excelente abrigo para a chuva e para o frio e além do mais tinham por perto uma casa de banho sempre que o necessitavam. Daí a enorme concentração destas pessoas.

Pensou, do mal, o menos, sempre têm um abrigo melhor que estar na rua ao relento.

Chegou a primeira carrinha, estacionou em cima do passeio e mesmo na lateral da estação. Ordeiramente, foram-se aproximando e sem que alguém o pedisse formaram uma fila face à porta traseira, aguardando que esta se abrisse e se desse início à distribuição.

Hoje havia uma sopa quente de legumes variados, caldosa, notando-se até algumas verduras da sua composição nadando displicentemente no cimo da panela, panelão, que aquilo era descomunal, quase um bidão, uma coisa verdadeiramente impossível de se mexer para qualquer lado. Com tanta gente a quem distribuir a comida, mesmo este tamanha extra-largo era pouco, mas já era alguma coisa para quem nada tinha. Seguiu-se uma malga de arroz com atum e uma peça de fruta.

Pelo menos havia alguma coisa para comer, pensou mantendo os olhos húmidos com a presença de tanta desgraça.

Ao lado da sua carrinha, que se tinha dirigido a outro ponto da cidade, o largo, um espaço enorme que era jardim e zona de convívio na cidade, estava outra, não distribuía comida mas fazia algo de que também necessitavam estes desprotegidos, era uma espécie de serviço de saúde ambulante, sim também havia médicos e enfermeiros que se dedicavam ou que dedicavam uma parte dos seus tempos a ajudar, e se ajudavam, era recorrente chamarem uma ambulância para remeterem um ou dois para os hospitais onde se submeteriam a tratamentos médicos mais cuidados, uns anjos na noite.

Eram comprimidos, injecções, xaropes e consultas grátis, media-se a tensão, faziam-se auscultações e verificavam-se os olhos, não fosse haver para ali alguma anemia galopante, ou eles não estivessem muito mais sujeitos a ela que quaisquer outros.

Reparou que alguns se dirigiram para lá mesmo antes de receberem a sua refeição, cambaleantes nalguns casos.

Depois da distribuição da refeição abriram-se umas caixas que até ali se mantinham inalteradas, era roupa. Roupa que fora oferecida por quem já não a utilizava mas que, estando em boas condições, resolvia muitos problemas de vestuário a quem delas necessitava e eram muitos, quase todos procuravam uma peça ou outra, um par de sapatos ou qualquer outra coisa que lhes servisse. Os mais bafejados conseguiam até um ou outro saco cama, recebido como uma dádiva de Deus pois permitia-lhes umas noites mais aquecidas, era ver aqueles rostos risonhos de satisfação por tal oferta.

Um dia ofereço, pelo menos um saco cama a cada um, falou para si mesma, mas o pensamento saiu-lhe mais alto do que imaginara e o sussurro foi ouvido por Maria que esboçou um pequeno sorriso, terão melhores noites concerteza.

Apesar de todas estas dificuldades, notou, não lhes faltava humor e até gracejavam com o que lhes ofereciam ou mesmo com as pessoas que se dispunham a este trabalho, sempre respeitosos, sempre muito agradecidos. Não notou qualquer falta de respeito por parte deles e nem sequer, alguma vez os molestaram, o que só poderia advir da sua condição de abandonados.

Este foi o primeiro dia e também o primeiro impacto. Nunca pensou, nunca lhe passaria pela cabeça.

Etapa seguinte, ronda pela nova paragem que se impunha, o mesmo ritual. Chegar, parar a carrinha, abrir as portas traseiras e deparar logo com uma fila, já formada, dos que esperavam ansiosos por esta dádiva nocturna.

Eram menos, aqui não havia tanta gente, sempre era uma zona mais chique da cidade, não muito afastada do centro, mas o suficiente para que não se deslocassem para ela com toda a tralha que normalmente arrastam atrás de si.

Começava a cair uma chuva miudinha, lenta mas progressivamente as nuvens foram-se juntando sobre a praça. O choque entre elas produziu esta primeira queda de minúsculas partículas de água que não assustava ninguém nem os fez arredar pé, até que todas as necessidades fossem satisfeitas. Quase todas, que algumas não seria possível satisfazer por uma organização que vive de ajudas de beneméritos, mas enfim, as mínimas de certeza que eram satisfeitas com a boa vontade de todos quantos davam sem receber em troca.

Este foi o primeiro impacto com a realidade, com o outro lado da vida de Alice, o lado que ela própria desconhecia.

Desmobilizaram, por esta noite estava feito o trabalho, amanhã seria outro dia e outra nova ronda dos desvalidos.

A carrinha levou-os de volta à sede da organização, despediram-se e foram-se dispersando, também eles pela noite que cobria a cidade.

Alice foi a última a sair da carrinha, foi a última a despedir-se e ainda ficou um pouco parada, quase inerte frente a Maria que a olhava com alguma satisfação e um pequeno sorriso nos lábios.

- Que se passa Alice, pareces absorta depois de toda esta azáfama.

Alice olhou-a com a voz meia toldada, ainda com um ar incrédulo, respondeu,

- Não estava à espera de ver nada disto, não pensei que fosse tanta gente e tão necessitada.

- Espera e verás, todos os dias aparecem mais e por vezes temos dúvidas se conseguimos chegar a todos. Vais ver, vais-te acostumar com o passar do tempo. Não penses que resolves, sozinha, os problemas do mundo.

- Porque o dizes? Sei bem que não o consigo, mas tenho pena.

- Ouvi-te sussurrar que um dia comprarias um saco-cama para cada um, ficava-te muito caro.

- Foi só um desabafo, retorquiu Alice, mas a ideia martelava-lhe a cabeça.

Por ali ficaram. Despediram-se até ao dia seguinte e seguiu cada uma para seu lado não sem que Maria ainda disparasse, já em andamento,

- Obrigado Alice foi bom estares connosco."


publicado por: canetadapoesia às 17:12
link do post | comentar | favorito

Um horror

 

Como é que alguém se pode sentir bem cortando a esperança de futuro de tanta gente? Como é que alguém tem coragem de, por acções, omissões ou mentiras roubar a esperança a tantos que neles confiaram?

 

Pois foi o que aconteceu.

 

Queimaram-se os poucos recursos deste país, se é que tinha alguns, depois do império terminado, no entanto construíram-se auto-estradas que, em alguns casos, até são paralelas e vão ter ao mesmo sítio, construíram-se megalómanos estádios de futebol, que agora querem deitar abaixo, sem que isto nada produzisse em prol do país, querem um novo aeroporto quando os combustíveis estão a um preço que qualquer dia nem aviões há, um comboio de alta velocidade quando abandonam a imensa ferrovia que o país tinha, deixando-o mais isolado e pobre.

 

Agora, agora que o país está na penúria, na bancarrota, para que alguns tenham enchido os bolsos e posto o pecúlio a bom recato querem o regresso a coisas as quais foram, lenta mas inflexivelmente, levando os portugueses a abandonar, e são os mesmos que o fizeram que agora pedem o retorno, sem vergonha nenhuma naquelas caras de pau, às pescas, ao campo, à agricultura, pede-se sempre aos outros.

 

A segurança social está em crise corta-se nas pensões de miséria, nas outras, as grandes que nem se sabe como foi possível atribuí-las, nessas não se mexe, mas deviam ter sido as primeiras a ser cortadas, não só para dar um bom exemplo de sacrifícios que se pedem a quem não os pode suportar mas para moralizar as injustiças criadas com essas principescas atribuições de quem nunca, sequer, pagou o equivalente para as ter, diminuam de imediato esta aberração, ponham cobro a esta devassa do erário público pago por quem tem suportado toda esta aleivosia.

 

Estou amargo, eu sei, estou mesmo muito amargo depois de assistir a um programa de televisão que aborda a crise no país de maneira assustadora.

Jovens que não têm orgulho nenhum em ser portugueses, ou em Portugal e, cujo maior sonho, é sair de Portugal.

 

Que país é este? Em que o transformaram?

 

Agentes da autoridade que demonstram o seu arrependimento de ter ingressado em algo que lhes devia dar orgulho, as forças da ordem nacionais, arrependidos de o terem feito, se pudessem voltar atrás, dariam outro rumo à sua vida.

 

Que país é este? Em que o transformaram?

 

Jovens estudantes que vivem no desespero de ter de escolher entre pagar o quarto ou comer e cuja grande ambição é sair do país, para qualquer lado e, até para Espanha, já ao lado.

 

Que país é este? Em que o transformaram?

 

Continuamos a assistir ao circo eleitoral e eleitoralista em que todos falam e nada fazem, em que os empregos existem para os amigos, para os do partido, para os conhecidos, para os da família x, y ou z, para quem na realidade caminha para um futuro que não sei como pode achar atractivo sabendo que esvoaça sobre a cabeça de milhares de pessoas desesperadas.

Que país é este? Em que o transformaram?

 

E fez-se uma revolução para reduzir as diferenças que existiam e fazer justiça às injustiças que grassavam na sociedade portuguesa e hoje vemos mais diferenças, mais injustiças, mais desigualdades e fome, só não vemos presos políticos, por enquanto.

 

Que país é este? Em que o transformaram?

 

E ouço um dos artistas do circo dizer que o que é preciso é gerar o respeito e confiança e deixar de ter medo, palhaços. Como dizem estas bacoradas a quem está a passar fome e a ter necessidades urgentes que não consegue satisfazer?

 

Estou amargo, mesmo muito amargo.

 

Vejo a coisa não com o medo que eles apregoam mas com o medo de quem sabe o que ele é.

Vejo um país milenar que pela mão de “xicos expertos” chegou à miséria total.

Vejo um país a que já só resta ir para fora para sobreviver.

Vejo um quadro negro, escuro, um túnel imenso que de tão grande não se vislumbra o fim.

Questiono-me se vale a pena manter este país ou se é melhor entregá-lo à gestão de outro, integrá-lo como uma província de qualquer país que o aceite para ser gerido.

Vejo que também eu começo a ter vergonha do meu país.

Vejo que já não acredito que seja possível restituir o orgulho perdido a este povo.

Vejo que o caminho não pode ser este, saquear os pobres para manter os ricos.


publicado por: canetadapoesia às 11:57
link do post | comentar | favorito

.Mais sobre mim


. Ver perfil

. Seguir meu perfil

. 14 seguidores

.Pesquisar

 

.Junho 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.Posts recentes

. Orgulho

. 10 de JUNHO

. A república revisitada

. Consoada numa terra dista...

. Finalmente juntos (39º Ca...

. Encontro ao fim da tarde ...

. Num país diferente (37º C...

. Sobrevivência (36º Capítu...

. Evolução na confusão (35º...

. Preocupação (34º Capítulo...

.Arquivos

. Junho 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Agosto 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

.Links

SAPO Blogs

.subscrever feeds