Sábado, 21 de Dezembro de 2013

Momentos do futuro livro "Os três mafarricos - Noite escura, Meia de Leite e Branquelas".

"Afastou-se para o lado, ela entrou e deu uma rápida vista de olhos ao quarto, tudo arrumado, cama feita, roupa nos armários, gostou do que viu e olhando para ele sorriu-lhe. Um sorriso de dentes brancos saiu-lhe da cara e foi então que ele, pela primeira vez reparou bem nela, uma mulher ainda jovem, vestida despretensiosamente mas elegante, um corpo firme e sem nenhum dos efeitos da idade ainda a passar-lhe por ele, uns lábios grossos e brilhantes, mercê do batom contra o cieiro, estatura um nadinha superior à média, podia dizer-se que era alta, quase à sua altura, Meia de Leite gostou do que viu e não deixou de ter uns pensamentos pecaminosos, mas não estava em posição de os demonstrar. Vamos que temos muito para andar hoje, diz ela, é melhor agasalhares-te que o dia está frio e leva o guarda-chuva que está tempo de molha.

Agasalhares-te, tratou-o por tu, esta gente é mesmo diferente, ganham logo um à-vontade com as pessoas que nos deixam atordoados. Antes de mais, deixa-me apresentar-me que ontem nem falámos com tempo para isso, sou a Jeanne e vou estar contigo durante uns dias para te ajudar a tratar de tudo, depois, quando ficares à tua conta, ainda poderás contar comigo, para isso deixo-te o meu contacto e assim poderás em qualquer altura ligar para mim, estarei sempre à disposição para o que necessites. Sei que é sempre difícil adaptarmo-nos a um novo país, mas vais ver que consegues e ainda vais ser feliz aqui.

Sou o Meia de Leite, desculpa, este é o nome por que era conhecido pelos meus amigos, todos tínhamos alcunhas, na verdade eu chamo-me Josué, eu sei, é um nome bíblico, não gozes, foi assim que os meus pais me baptizaram, titubeou no seu ainda hesitante francês. Não te preocupes, não te ia gozar, é um nome bonito, e sorriu-lhe de novo. Vou só vestir o blusão e podemos ir, vais-me contando o que preciso saber, como me orientar, onde arranjar trabalho, enfim, tudo o que é necessário para ser quase um cidadão Belga.

É para isso que eu estou aqui, para te dar uma ideia do que é e como funciona este país, pode nem parecer, mas até funciona bem. Vais ficar a saber o que for necessário e se mais alguma coisa houver a saber basta que me contactes, quando quiseres, a qualquer hora, estarei disponível. Soou-lhe bem aquele “a qualquer hora estarei disponível”, veio de África, é certo, mas aquela cabecinha formatada com o espírito africano e o latino, já fervilhava de ideias menos católicas. Deixou-a sair à sua frente, não por deferência e educação, que também o faria por isso, mas para puder apreciá-la enquanto se movia para fora do apartamento, gostou do que viu e imaginou-se já com namoro a uma rapariga do país e, quem sabe, a ter os seus descendentes de uma ligação a uma destas moças, tão diferentes mas tão bonitas."


publicado por: canetadapoesia às 22:55
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