Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013

VENDO SONHOS, VENDO O MEU SONHO PARA QUE OUTROS POSSAM SONHAR

 

Nunca dei por mim com inclinações especiais para ser um grande vendedor e por isso, talvez mais por isso que por outra qualquer coisa, sempre procurei comprar e guardar, dar quando se tornava necessário, mas nunca vender.

 

É que não tenho mesmo jeito para vendedor.

 

Só que, para minha desventura, e grande gáudio de quem nos governa, vou ter que fazer uma perninha nesse negócio, vou tentar vender.

 

O que eu vendo? Perguntarão com toda a razão, nada de especial, não são produtos de beleza, nem de emagrecimento rápido, não são gadgets da moda nem sequer produtos alimentares, nada disso.

 

O que eu vendo, são sonhos.

 

Aliás, o que eu quero vender. Porque como disse não sou, nunca fui, nem tenho vocação para vendedor, mas tenho de vender um sonho.

 

Só tenho de vender um que até é dos que me são mais caros, tanto emocional como psicologicamente e, claro, porque se torna materialmente necessário.

 

Os sonhos não se vendem, dirão alguns, e eu até concordo, porque vender um sonho é perder parte da vida. Se o vendo ficarei mais pobre espiritualmente, eu sei, mas a necessidade física obriga o emocional a restringir o espiritual ao simples olhar de longe depois do sonho ter ganho outras asas.

 

Vendo um sonho. Vendo sonhos do sonho.

 

Sonhos do sonho? Sim, dentro de um sonho outros sonhos se apresentam e deslumbram o brilhar do nosso olhar e sonham, com sonhos melhores que os que os olhos vêm mas que a alma procura maiores.

 

Vendo pois, o meu sonho, aquele que me tem enchido de sonhos. Por isso lhes digo que vendo um sonho de sonhos.

 

O que vendo materialmente é um barco.

Com 6,7 metros, para aí 22,5 pés, de sonhos ao comprido, acabadinho de fazer a inspecção válida até 2018, impecável no trato, excelente na navegação.

 

Nas suas velas novas, dança o vento. Enche a vela grande, arredonda a  genoa. Enfuna-as e com um ligeiro gemido e inclinação contrário ao vento que o açoita, quando dou por ele, desliza sobre as águas deste rio que deu mundos ao mundo mas que se sente incapaz de me guardar nas entranhas o sonho que era meu.

 

Alforreca II, assim baptizado, motor de popa de 5 cavalos a quatro tempos, ferro de proa para admirar paisagens em qualquer canto onde possa ser largado, para um descanso aprazível. Mesa de poço para os almoços, frugais, que se façam a bordo, toldo de cobertura de poço, para que o sol não nos derreta os miolos nos verões da nossa vida.

 

Quando o vento não abunda, enche-se a spinaker, simétrica, ou pode até ser a assimétrica, que depende da ocasião, sim, são aquelas velas enormes que se elevam na proa da embarcação, vulgarmente cheias de vida e cor a condizer com a satisfação de quem as utiliza.

 

E quando a água apetece, uma escada de casco para o regresso a bordo após o mergulho retemperador e refrescante.

 

Enfim, um sonho de tantos sonhos.

 

Porque não posso continuar a sonhar, que o meu País de marinheiros que desbravaram os oceanos agora se encalha em qualquer baixio da política de gente sem sonhos, e não me permito o abandono de um sonho que pode deixar outros sonhar, porque acredito voltaremos a sonhar como povo e como País.

 

Está à venda o meu sonho.

 

E por uma quantia irrisória face aos sonhos sonhados, € 7.500,00, chave na mão.


publicado por: canetadapoesia às 20:09
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