Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Se eu fosse uma gaivota

 

Ah, se eu fosse uma gaivota.

 

Se eu fosse uma gaivota, voava, voava muito, voava para além do horizonte na procura do que para lá existe, além do horizonte já se vê.

 

Se eu fosse uma gaivota, corria este rio de cima a baixo, da nascente à foz, e outra vez o sobrevoava da foz à nascente. Olhava, perscrutava, procurava e estou certo que encontrava quem tanto mal lhe faz, quem o enche de desperdícios, quem mata os peixinhos de que me alimentava, de quem afasta a vida que nele germina.

 

Se eu fosse uma gaivota, não permitiria que o símbolo de Lisboa tivesse corvos, havia de me rebelar, havia de lutar contra a sua colocação, ainda que fosse sozinho, ainda que alegassem a tradição. Então se tudo muda porque não substituir os corvos por algo mais agradável e circundante a Lisboa? Uma gaivota.

 

Se eu fosse uma gaivota, não me chamaria Fernão Capelo Gaivota mas, simplesmente gaivota de Lisboa.

 

Se eu fosse uma gaivota, faria voos rasantes, como um autêntico avião de caça, elevava-me, picava em direcção ao solo e, quando já estivesse pertinho, flectia as asas e depois de uma rasante aos telhados da cidade, voltava a elevar-me em direcção ao rio.

 

Se eu fosse uma gaivota, ah! Se eu fosse uma gaivota tornava-me contestatária de tudo o que não gostasse e, em certas zonas da cidade, com certas pessoas que visse na rua, voltava a fazer um voo rasante e desta vez com objectivos definidos.

 

Se eu fosse uma gaivota, elevava-me tanto, tanto no ar que me perderiam de vista e depois, picava a uma velocidade estonteante em direcção aos meus alvos, de tal forma era a velocidade que quando dessem por mim seria tarde de mais.

 

Se eu fosse uma gaivota, bombardeava-os com todo o excremento que lhes pudesse lançar.

 

Se eu fosse uma gaivota. 


publicado por: canetadapoesia às 19:21
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