Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

CARAS

 

Estou cada vez mais preocupado com os efeitos desta crise económica que se abateu sobre todo o mundo, a Europa incluída e Portugal particularmente.

 

Não estou preocupado com as medidas agora tomadas já que seriam sempre no sentido em que estas também o foram, esmagar ainda mais os que nada contribuíram para ela e que são sempre os que a têm de pagar.

 

 Estou preocupado porque somos governados por gente que não tem palavra, gente que mente descaradamente, gente que se contradiz com a maior das facilidades, gente que diz agora e logo se desdiz, gente sem um pingo de vergonha ou sequer de princípios, gente que com a maior facilidade consegue encontrar argumentos para enganar este povo martirizado por anos de “democracia”.

 

A democracia pressupõe alternância, não só no poder mas também nas pessoas.

 

Que vemos nós após estas dezenas de anos passados depois da revolução dos cravos?

 

Vemos caras, sempre as mesmas caras, sempre a mesma gente que se assenhoreou do poder e não o quer largar de modo nenhum.

 

Caras que, de tanto aparecerem nos jornais e na TV, acabam por nos dar um sentimento de quase família quando nos entram pela casa dentro logo que abrem os noticiários televisivos.

 

Caras que envelhecem, caras que engordam, caras que resplandecem de brilho de tão inchadas.

 

Caras de quem ao longo destes anos mais não fez que enriquecer brutalmente, cavando o fosso que separa e estratifica esta Nação de forma tão grosseira e injusta, sempre à custa dos mesmos, Zé povinho.

 

Caras que, por incrível que pareça são as mesmas que governaram o país política e economicamente e o levaram a esta situação de crise que agora vivemos.

 

Caras que agora aparecem falando, doutamente, sobre a crise tentando argumentar que somos maltratados pelo mundo quando, na verdade, somos maltratados pelos nossos próprios conterrâneos.

 

Caras que estão preocupadas com a crise, não porque afecta o país e os portugueses mas porque as afecta a elas.

 

Caras que se encontram amiúde nos tribunais, em processos infindos que levam anos e anos a não levar a nada.

 

Caras que patrocinam os futebóis, com todo o chorrilho de animalidades com que somos presenteados.

 

Caras que até organizam espectáculos de fado, a alma portuguesa como desculpa, para nos entreter e distrair do que são os problemas do país.

 

Caras que se regozijam e enfileiram para estar mais perto do Papa na sua visita a este recanto da Europa, quem sabe pedindo perdão para os seus actos.

 

Caras que se regozijaram pelo fim do antigo regime fascista que entretinha o povo com a trilogia dos “F” e que agora repetem o mesmo caminho.

 

Caras que não têm cara.


publicado por: canetadapoesia às 20:44
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