Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

NÃO ESTAMOS ASSIM TÃO LONGE

 

Não, não estamos assim tão longe.

 

Basta verificarmos como se viveu, e como se vive, e o que se passa neste país à beira mar plantado para rapidamente verificarmos que de facto não estamos assim tão longe ou que pelo menos da lonjura se fez aproximação.

 

Como vivemos? O que comemos? De que gostamos?

 

Vivemos melhor, é certo, desde a adesão à EU, mas e antes disso? Não era assim tão bom.

 

Ainda tenho memória das aldeias em que a casa era uma única divisão e na outra, se calhar a melhor, estavam os animais.

 

Então qual era a diferença?

 

Noutro exemplo, podemos verificar que essas e outras casas dispunham de uma zona onde se fazia uma fogueira para preparar a janta e simultaneamente aquecer o ambiente.

 

Então qual era a diferença?

 

Até aqui não encontro nenhuma diferença, excepto que estes aspectos, referidos, estavam situados na Europa e a comparação que faço é com África.

 

Em África também era assim, uma só divisão onde se acomodava a família toda e uma fogueira para preparar a janta, só que os animais ficavam no cercado, talvez porque o clima era diferente, mais quente, mais acolhedor.

 

Outra diferença encontrada, na Europa as gentes tinham a pele clara, em África tinham-na escura, talvez por causa do clima, mais quente e consequentemente obrigando a corrigir as tonalidades da pele para o suportar ou não fosse a humanidade descendente de África.

 

No mais, o que encontramos? Gente, pessoas, com anseios, necessidades, famílias, com animais, enfim, semelhantes em tudo mais.

 

Muitas fogueiras se faziam no exterior da habitação, em África, para aquecer nas noites de cacimbo ou preparar algum quitute.

 

Muitas fogueiras de carvão se fazem na Europa, mais especificamente em Portugal, não para aquecer, que as fazem no verão, mas para assar sardinhas ou outros acepipes.

 

Então qual era a diferença?

 

A sensação de liberdade que se vivia num país cujo horizonte geográfico, só até meio, nos levariam de Lisboa a Madrid.

 

É diferente não é? Nada paga nem apaga esta sensação.

 

Com estas subtis diferenças, facilmente verificamos a enorme transformação ocorrida em Portugal na pós-revolução e com a chegada daqueles que tiveram o privilégio de se cruzar com as culturas dos seus ancestrais.

 

Desde logo passou a haver uma ampla oferta de churrasco no carvão, picante como deve ser, o “gindungo” passou a ser um must para os que não o conheciam e depressa lhe sentiram o sabor a puxar mais uma imperialzita.

 

Os restaurantes que ofereciam comida africana rapidamente emergiram nos locais mais recônditos, até nas vetustas vielas agora transformadas em espaços africanos e de gentes de África, fazendo lembrar o que a história nos conta da áurea época dos descobrimentos em que Lisboa se havia transformado de gentes e de cheiros.

 

A oferta frutífera disparou para exemplares nunca dantes encontrados e agora exigidos em todas as mesas que se prezam, ela são mangas, tamarindos, cocos, papaia, enfim um sem número de novos sabores assaltou este recanto dando-lhe a conhecer um pouco do paraíso.

 

As praias desta terra, as praias pouco frequentadas, que logo passaram a ter uma corrente de gente que já não passava sem elas e que na sua largueza de horizontes arrastaram outras que acabaram também por aderir a esta vontade.

 

Não estamos assim tão longe, na verdade estamos muito perto mesmo.

 

Como tal, umas ostrinhas na brasa na Samba, acabadinhas de apanhar, ou umas sardinhas na brasa em Lisboa, das pequeninas, não nos diferenciam assim tanto, pelo contrário, aproximam-nos. 


publicado por: canetadapoesia às 21:03
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