Domingo, 3 de Novembro de 2013

HAVIA UM PAÍS…

 

Em que a liberdade estava cerceada, diziam uns, que não senhor havia liberdade para todos, desde que se portassem bem, diziam outros.

 

A população, na sua esmagadora maioria, até se portava bem, ainda que o fizesse com receio das consequências que poderiam advir de algum mau comportamento.

 

O que é certo, e a história rezará, é que os que a achavam, o tal país, mau conseguiram, através de uma revolução repleta de flores vermelhas como o sangue, criar um país novo, transformá-lo naquilo que diziam seria um paraíso terrestre cheio de oportunidades para todos e em que a igualdade seria ponto assente.

 

Nunca mais se veria aquelas coisas horrendas, apregoavam eles, de alguém ser posto de lado porque havia outro alguém que até nem teria grandes qualificações mas era filho, afilhado ou outra coisa qualquer de quem podia mexer uns cordelinhos e afastar os indesejáveis para a melhor colocação dos seus rebentos.

 

Nunca mais, diziam eles.

 

Igualdade para todos, justiça para todos, educação para todos, saúde para todos.

 

Era um clamar de anti-injustiça que até fazia dó. Como é que vivemos tantos anos debaixo de tais tratamentos e nem tínhamos dado por aí além que eles existiam? Idiotas, não pensavam sozinhos e necessitavam de ser ajudados.

 

E foram ajudados na verdade. O país perdeu extensão em latitude e longitude, não tinha matérias-primas mas, qualquer cultura de tremoços resolveria a questão económica e assim, pequenos mas bons.

 

Pois na verdade a justiça de uns é sempre a injustiça de outros, cerca de um milhão mais coisa menos coisa ou se quisermos 10 % da sua população directamente, nada que atemorizasse os nossos salvadores sobretudo porque pugnavam por algo que estava acima de tudo o resto.

 

Igualdade para todos, justiça para todos, educação para todos, saúde para todos.

 

E assim foi durante cerca de três décadas e meia, tanto quanto a ajuda da Europa o permitiu. Sim porque esse país juntou-se a um bloco de outros países denominados EUROPA, tão velhos quanto ele e perdeu a oportunidade de ser um país do novo mundo, que tinham por missão ajudar-se mutuamente até que todos atingissem o mesmo patamar de boa vivência, como os nossos salvadores achavam que deveria ser, portanto com:

 

Igualdade para todos, justiça para todos, educação para todos, saúde para todos.

 

Na verdade nem todos souberam aproveitar estas benesses do nosso novo país, renascido das cinzas em que o anterior o transformou, mas houve quem soubesse trazer para o seu lado não só as vantagens e oportunidades oferecidas como ainda forçou outras inexistentes e foi deste modo que desapareceu num ápice toda a:

 

Igualdade para todos, justiça para todos, educação para todos, saúde para todos.

 

Claro que aqueles que foram bafejados pelas enormes oportunidades que se lhes depararam, quer por serem filhos, afilhados ou outra coisa qualquer , contra a qual se haviam insurgido os nossos salvadores, são agora veementemente contra qualquer coisa que possa significar:

 

Igualdade para todos, justiça para todos, educação para todos, saúde para todos.

 

E não é por acaso, é que agora estão do outro lado, do lado daqueles que já se sentem perfeitamente à vontade para esgrimir argumentos e bramir impropérios contra os que não estão do seu lado. E não adianta dizer que viveram sempre à sombra do novo país renascido das suas promessas de bem estar para todos, que quem o disser é do contra e avesso à mudança e sobretudo não quer trabalhar e prefere viver à custa do país renascido.

 

E com isto chegamos à triste conclusão que este tal país renascido e de bom viver vai ter de renascer, agora sem flores vermelhas de sangue. Agora com os olhos bem abertos na procura de:

 

Igualdade para todos, justiça para todos, educação para todos, saúde para todos.

 

E de preferência sem clientela partidária como a que conhecemos.


publicado por: canetadapoesia às 12:02
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